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Caixa do Jogo C-Jump

Uma empresa americana, chamada C-Jump Factory, inventou um jogo bastante interessante para ensinar conceitos de programação em C, C++ e Java para jovens a partir de 11 anos, chamado C-Jump.

O jogo simula uma corrida de esqui, mas os passos para se ganhar a corrida são instruções escritas em C nas casas do tabuleiro. Um dado é utilizado como o valor de uma variável numa operação aritmética. O jogador deve calcular o valor da expressão para saber o quanto andar no tabuleiro. Há também condicionais, por exemplo “if (x == 3)”, que desviam o jogador para um caminho ou outro, assim como a execução de um programa.

Uma citação da página inicial:

“This game eliminates intimidation of many kids and their parents, bored by the mention of ‘computer programming’, often associated with visions of geeky guys glued to their computers. c-jump reveals simple programming terms in a cool way!”

mostra uma certa ilusão quanto ao destino das crianças que jogarem esse jogo. Mas ele é bem feito, mesmo assim!

Em suma, é um ótimo substituto ao computador para dar de presente às crianças. Assim, em vez de perderem tempo com bate-papo, orkut e messenger, elas já descobrem a parte mais legal do computador logo de cara.

Agradeço a Rafael Izbicki pela recomendação!

Foto: C-Jump Factory

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    José Saramago teve uma ótima idéia para um livro, e usou seu talento muito bem para escrever “Ensaio sobre a cegueira”.

    O livro narra a história de uma doença de causas desconhecidas que afeta uma nação inteira (na verdade, os limites do avanço da doença não ficaram muito claros, mas isso não é muito importante). Tudo começa com uma cegueira súbita de um cidadão enquanto dirigia seu carro. Ele estava esperando o semáforo ficar verde, quando, de repente, fica cego.

    Mais pessoas vão ficando cegas; a doença se alastra numa velocidade espantosa. As autoridades tomam medidas para tentar impedir seu avanço, como colocar em quarentena os doentes, mas nada parece fazer efeito. Apenas uma pessoa não fica cega, e essa pessoa passa a descrever o mundo de cegos.

    O mais interessante no livro não é o progresso da doença, mas o estudo do comportamento das pessoas frente à doença: algumas tentando sempre levar vantagem, outras altruístas, outras simplesmente egoístas. Todos esses aspectos são analisados sob um ponto de vista diferente.

    Outra característica bastante interessante no livro é a descrição que é apresentada das pessoas se adaptando à vida sem visão. O nível de detalhamento é fantástico, e faz parecer que o próprio autor do livro passou pela situação. Essas partes do livro, aliás, mostram as dificuldades que passa alguém que fica cego, algumas das quais a gente nem percebe.

    Em suma, o livro é muito interessante. Dá asas à imaginação sem sair do mundo real, e faz-nos pensar sobre nossa própria natureza, sobre nossas vidas e o mundo em que vivemos. Recomendo!

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    Numa das melhores palestras que eu assisti nesse FISL inteiro, Carlos Affonso Pereira de Souza falou sobre as leis relativas ao direito autoral e também sobre a legislação sobre domínio público. Não que software livre esteja intimamente ligado ao tema, mas foi interessante saber da visão jurídica sobre software.

    Após uma definição tripla de domínio público, em termos populares - o que interessa a todos, o que vem depois do direito autoral e o direito que se tem de acessar coisas velhas - a palestra tomou seu rumo legal.

    Três artigos foram citados durante a palestra:

    • Lei no. 9610/98 - Artigo 41 Domínio público 70 anos após morte do autor
    • Lei no. 9610/98 - Artigo 42 Domínio público 70 anos após publicação de obra audiovisual
    • Lei no. 9609/98 - Artigo 2 Domínio público 50 anos após publicação de software

    Também aprendemos que o limitante inferior para essas datas foi estabelecido na Convenção de Berna e que algumas obras caem em domínio público imediatamente, no caso de autor desconhecido ou sem sucessores, ou nem mesmo podem receber direitos autorais, quando não há originalidade, por exemplo. Além disso, diferentemente dos Estados Unidos, não se pode, no Brasil, proteger idéias não implementadas.

    Mas o foco não era esse: o ponto era o Domínio Público. O palestrante sugere que, assim como o software livre, outras produções culturais brasileiras deveriam estar disponíveis em domínio público, mas optam por ter direitos autorais por desconhecimento. O que precisa ser entendido é que os direitos morais se mantém (isto é, autoria e obrigação de divulgá-la e atribuir os créditos ao autor); apenas os direitos do monopólio de exploração da sua obra não se mantêm.

    Com isso, passamos para os dois outros palestrantes, representantes de dois projetos de incentivo ao uso do Domínio Público.

    O SESC-SP tem instruido grupos de teatro independentes sobre as leis do assunto e incentivado a liberação do material teatral para o público geral quando as peças saem de cartaz.

    Enquanto isso, o grupo de Bruno Magrani trabalha na liberação das obras de Noel Rosa como domínio público. Eles entendem o domínio público com a celebração maior da cultura - quando todos têm acesso a ela.

    Como leitura recomendada na palestra, fica a página da Wikipedia sobre domínio público, material elogiado pelo palestrante principal.

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    Numa palestra simples e também sem muitas novidades, o palestrante Rodrigo Padula de Oliveira falou um pouco sobre o que é o XO, os objetivos do projeto, seu hardware e afins. Vale lembrar aqui a parte de fontes de energia alternativas conseguidas para que o XO chegasse a comunidades afastadas:

    • fonte de energia comum
    • energia solar
    • dínamo movido a vacas
    • gerador manual (mesmo princípio da centrífuga de saladas)

    A estrela desse quadro foi o palestrante júnior, de apenas 12 anos, que falou um pouco sobre sua experiência com o XO enfatizando o quão amigável e útil ele pode ser para crianças, ainda que elas não saibam ler, já que a interface é absolutamente simples e intuitiva. Não que ele seja um caso padrão: Rodrigo mexe em computadores desde os 9 anos, sempre com Linux, e arrancou aplausos da platéia do FISL ao dizer que nunca mexeu em um Windows.

    Habilidades hackers à parte, Rodrigo fala com clareza e propriedade sobre sua experiência com o XO e seu feeling com relação a outras crianças que possivelmente usarão os laptops em breve.

    O palestrante também contou que tem, como projeto pessoal, a criação de um sistema de cadastrar tarefas para crianças - no estilo de um Moodle infantil, pelo que eu entendi. Também, a criação de add-ons para o browser do XO de modo a permitir compartilhamento de links interessantes de um determinado assunto.

    Creio que a parte mais interessante da palestra tenha sido, no entanto, a discussão com professores de colégios presentes sobre o método de avaliação atual das escolas não serem adequáveis ao uso extensivo dos laptops infantis.

    A questão levantada foi como mudar a mentalidade brasileira de que a prova é a melhor maneira para avaliar aprendizado quando pode-se adotar um paradigma mais colaborativo, onde uma pessoa ajuda a outra a aprender. E, na verdade, uma das reclamações foi de que o Ministério da Educação por um lado não incentiva em nada o aprendizado colaborativo, apesar da vontade de alguns professores, e, por outro, quer aplicar o projeto dos OLPCs no Brasil - parece ou não que alguém está ganhando com isso e não são as crianças.

    Antes de investir num projeto desse nível e custo, deveríamos mudar a proposta de ensino para algo que possa ser adequado à ferramenta que o XO é. Não adianta comprar tecnologia de última geração se o modo de pensar ainda é aquele antigo e quadrado.

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