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Linux, Open-source, Programação e Produtividade

Archive for April, 2007

Roberto Lemos, José Marcelo Zacchi e Carlos Affonso Pereira de Souza dividiram o tempo de uma palestra para expor suas visões a respeito da cultura de colaboração sob a qual o movimento de software livre e a web2.0 funcionam.

Curiosamente, a marca web2.0 é registrada nos EUA e pode, com isso, exigir direitos sobre seu uso. Além disso, os palestrantes alertam para um fato absurdo: ao colaborar com fotos e notícias para mídias de grande porte é preciso atentar para o regulamento de colaboração, ou você pode perder os direitos sobre aquilo que produziu.

Por outro lado, a verdadeira cultura colaborativa influencia até mesmo aqueles que não têm computador, mas desfrutam dos avanços tecnológicos - como o acesso via lan houses em vizinhanças pobres.

Por mais que sejam informais e ilegais, elas produzem uma oportunidade para a população de baixa renda de se inserirem na sociedade tecnológica.

O palestrante apelou: “Autoridades do Brasil: deixem as lan houses em paz!”

Ainda na mesma palestra, Carlos Affonso fez uma explicação deveras interessante e divertida sobre a circularidade da internet, particularmente da Wikipedia.

Partindo da página inicial da Wikipedia, o palestrante passou por Donald Rumsfeld, Princeton, 1746, Tiradentes, Comércio, OMC, 1995, Bruna Marquezine, 4 de agosto, Wikimania, Jimmy Wales, Wikipédia, cuja página inicial levava à página do Donald Rumsfeld naquela ocasião. Recebendo uma salva de palmas acalorada dos ouvintes.

Como recomendação de leitura, ficaram:

  • Direito do Software Livre
  • Direitos Autorais na Internet

Boa leitura.

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  • Guilherme Silveira, o primeiro colocado no Qualifying e um dos ganhadores da Arena de Programação do FISL 8.0, muito gentilmente concordou em nos dar uma entrevista expondo suas opiniões sobre o FISL e falando um pouco da sua experiência. Veja abaixo:

    O que vc mais gostou no FISL 8.0?
    Não deu para ver muita coisa pois estava participando da Arena, mas senti uma presença muito forte de patrocinadores, a ponto de sujar um pouco algumas palestras. Acho legal que as palestras mostrem como o software livre é usado ou desenvolvido por essas empresas mas em alguns momentos soou muito a propaganda.
    A organização estava ótima, para um evento desse porte é muito dificil alguem não ficar doente ou simplesmente perder o aviao portanto as mudanças de palestras e horários foram naturais.

    Deu pra aproveitar Porto Alegre um pouco?
    Bem pouco. Conheci três churrascarias, por bastante tempo, e a cidade baixa, claro. Talvez fosse interessante o ime pegar um dia a mais de viagem para liberar o pessoal para conhecer a cidade durante o dia.

    Que distribuição de Linux você usa? Pq? E a sua preferida?
    Uso ubuntu em quase todo canto. Porque eu precisei de 30 minutos para instalar e não sofri a primeira vez que fiz isso. Ela é a minha preferida porque foquei minha vida em outras coisas e não tenho mais paciência para dar emerge (gentoo) como eu gostaria de dar.

    Por que você escolheu Java como linguagem de programação em competições se C e C++ costumam ser as mais escolhidas?
    Não escolhi Java não. Na primeira maratona que participei (Paulo Silveira e Joao Costa), minha equipe usou Java pois era o que trabalhávamos. Foi o suficiente para garantir nossa medalha, ficamos em oitavo lugar. Creio que seja a melhor posição de uma equipe de Java na história da ACM, regional Brasileira.
    Minha segunda participação foi na equipe do Carlos Cardonha e Marcel Kenji, já com C++. Desde então sempre uso C++ nas provas de estilo ACM, como foi a primeira fase da Arena. No topcoder uso Java ou C++, depende da Lua. Sempre estou aberto a usar Java se perceber que vai facilitar o exercício, mas não é o mais comum.
    É importante deixar claro que todos os programadores tem as mesmas ferramentas a sua disposição, Java, C, C++ e Pascal. A grande questão é como fazer uso delas para o melhor desempenho de você ou da sua equipe.

    Como a sua participação em competições de programação ajudou no seu desempenho na Arena?
    A primeira fase realmente não teve muita graça para mim e para outros que, como eu, são viciados na maratona (Luís Guilherme da Unicamp, por exemplo). Até mesmo a questão mais difícil foi retirada de uma prova que eu já havia feito alguns anos atrás, mesmo que sem acertar essa questão daquela vez. Ainda nessa fase, cheguei a resolver um exercício com Java, devido a facilidade do mesmo no trabalho com strings.

    O que você achou da seletiva na inscrição pra Arena?
    Eu não levo jeito pra quebra cabeça. O stand do google tinha dois brinquedos, entre eles o cubo-mágico, e eu não seria capaz de resolver nenhum dos dois. Com as dicas que eles passaram de como se inscrever, a coisa foi ficando mais fácil e acabei encontrando o caminho. Mas diferentemente dos outros inscritos, eu cheguei a fazer mais de um programa para descobrir que a cifra de criptografia do alfabeto era uma rotação de 13 caracters.

    No qualifying, era clara a sua calma. O que te deu essa vantagem sobre os outros competidores?
    Eu achei que eu estava nervoso. Primeiro que comecei devagar, depois que o pessoal da organizacao demorou para decidir os nomes dos arquivos e quando decidiram, não nos notificaram. Mas tudo isso faz parte. Fui pegando velocidade e ai me sentindo mais a vontade. A pratica leva a nao cometer gafes comuns como usar float em vez de double. Assim que resolvi os 5 e fiquei só com o ultimo em aberto percebi que estava bem. Dificilmente alguem faria o ultimo sendo que para nao me classificar seria necessario que 12 pessoas fizessem ele. Se voce levar em consideracao que o Brasil inteiro nao resolveu ele quando caiu na prova da ACM, acho que pude me sentir calmo a partir de entao.

    Você achou uma boa escolha usarem bugs intocados (da distribuição Debian) como problemas do Insanifying?
    Foi genial. Novamente todos os programadores tinham as mesmas ferramentas, cada um com seu background, e foram dados alguns problemas. Resolva como puder. Eu nunca havia feito algo em C de maneira profissional mas mesmo assim minha equipe conseguiu resolver completamente um bug e ainda brincar com os outros (não sei a situação). Nos colocar no mundo real foi bem interessante, divertido e desafiador. Muito desafiador.

    A Arena foi novidade pra todos, inclusive para os organizadores. O que você achou da estrutura da competição (e da premiação)?
    Erros comuns de primeira vez. Não sabemos direito os motivos pelos atrasos, que achei o unico ponto realmente chato, mas com certeza em uma primeira vez surgem imprevistos. Ano que vem serão outros problemas, mas foi otimo. Uma unica sugestao é aumentar o numero de competidores em todas as fases, mesmo dando mais trabalho, sera bem mais emocionante para todos.

    A maioria das universidades tem uma carga horária de matérias de matemática no curso de Bacharelado de em Ciência da Computação muito menor do que a do IME/USP. Você cursa Matemática Aplicada, que tem ainda mais embasamento matemático. Você acha que o seu conhecimento de matemática, provavelmente maior do que a dos outros competidores, influenciou na sua vitória? E como influencia na sua vida profissional?
    Acho que minha experiencia profissional contribuiu com a ultima fase, onde desenhamos uma especificacao e um sistema do zero, incluindo testes unitarios. Ja a experiencia no desenvolvimento de software livre (xstream.codehaus.org e paranamer.codehaus.org e vraptor.org) contribuiu para a segunda fase quando começamos a caçar bugs no codigo
    de outras pessoas.
    Creio que o curso de ciencia de computacao do ime seja o que melhor se adaptaria as necessidades de um bom desenvolvedor, lembrando que nao basta so fazer o curso, eh necessario correr atras de um projeto, participar deles, competir nas maratonas etc para ganhar a experiencia que a faculdade nao da. Mas juntando o racicionio logico que ela prove, com a experiencia pratica do mundo real e de projetos opensource, creio que uma pessoa tera uma boa base para resolver problemas do tipo que resolvemos aqui.
    Na vida profissional? Ué, assim como o blog de vocês, me chamam de nerd.

    Fora isso, o racicionio logico e a abstração que a pesquisa na area de matematica te da ajuda muito no momento de visualizar o codigo do seu programa e detectar seus pontos fortes e fracos, antes mesmo de encostar no teclado.

    Muito obrigado, Guilherme. Parabéns por mais essa vitória!

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  • Nessa palestra, Demi Getschko, um dos percussores da Internet no Brasil e, de acordo com o outro palestrante, a pessoa que ligou os primeiros cabos da Internet na FAPESP nos anos 80, propôs discutirmos os principios de privacidade x liberdade. Falou sobre os aspectos humanos, tais como privacidade X acesso a dados, intrusãoo X propaganda, dados pessoais x segurança.
    Citou, como exemplo alguns sites e frases que ilustraram muito bem o tema:

    Declaration of The Independence of CyberSpace (Declaração de Independência do Espaço Virtual)
    http://homes.eff.org/~barlow/Declaration-Final.html

    “The Internet could be characterized as anarchic…”
    “A internet poderia ser caracterizada como anárquica…”

    “Be liberal in what you accept and conservative in what you do”
    “Seja liberal no que você aceita e conservador no que você faz”

    “A proteção deve se basear mais em Ética e tecnologia do que em leis” - Demi Getschko

    “A Internet apresenta riscos como qualquer ambiente real, portanto não é preciso nova legislação para coibir crimes na rede, uma vez que são apenas novas maneiras de se cometer novos crimes.”

    “A rede se adapta para contornar restrições e censuras”, como é o caso Cicarelli, onde apesar das restrições feitas, os usuários conseguiam ver os videos

    A seguir, o palestrante Thiago de Oliveira enfatizou a privacidade:

    No Brasil, com a desculpa de crimes financeiros e pedofilia, o Sen. Eduardo Azevedo propos o projeto de lei que dentre outras coisas exigiria o cadastro dos internautas brasileiros, cujo texto é o seguinte:

    154A - Acessar indevidamente, rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado. Pena: reclusão de 2 a 4 anos e multa

    Ou seja, em tese, deverá haver uma espécie de Carteira de Internauta, dizendo quem estaria habilitado a acessar a rede.

    “São todos suspeitos até que se prove o contrário”

    “O internauta brasileiro tende a ser um delinquente se não for devidamente cadastrado”

    Agora vamos refletir: no caso do teu micro ter sido invadido e passado a fazer parte de uma rede zumbi, você poderia ser enquadrado pela lei supracitada, uma vez que estaria de certa forma permitindo ou viabilizando o acesso indevido à rede.
    E, de acordo com Thiago, 10% dos usuarios de São Paulo e 8% dos usuários do Rio de Janeiro poderiam responder por crimes de acesso indevido.

    Chegue às suas próprias conclusões… e lembre-se sempre do nome desse Senador.

    [Nota: Embora publicado por mim, Jonas de Abreu, este artigo foi escrito por Caue Guerra, amigo nosso]

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    FISL 8.0: Discussão paralela com Bletsas

    Após a palestra sobre Wireless Meshing com OLPC, conversamos brevemente com o palestrante da apresentação anterior, “Meshy Communications with the OLPC XO”.

    Michalis Bletsas comentou um pouco sobre as limitações de informação que pode ser dada em palestras por motivos de concorrência e o porquê de alguns drivers serem pagos.

    Segundo Bletsas, os drivers de vídeo proprietários, o bloqueio de operadoras em celulares e a impossibilidade de relevar a quantidade de memória em repetidoras de meshing têm o motivo em comum: a concorrência por preços menores.

    Começamos a conversa com um questionamento de um observador sobre a quantidade de memória que um repetidor a energia solar de meshing contém. O palestrante disse que uma cláusula de contrato o impede de revelar essa informação, já que, com ela, seus concorrentes no projeto OLPC poderiam calcular o range de alcance da repetidora, informação que convém apenas ao XO.

    Pelo mesmo motivo, as operadoras de telefonia celular travam seus aparelhos para aceitar apenas o software da contratada seja aceito. A concorrência chega a prejudicar os usuários, que têm suas escolhas reduzidas pela concorrência.

    Nos mesmos moldes, drivers proprietários chegam até a inibir a criação de softwares que gráficos, por exemplo. O palestrante citou a ausência de softwares de Cad que sejam opensoource.

    Curiosamente, para isso temos contra-exemplo! O projeto Archimedes dos alunos IME-USP é um Cad Aberto e já está disponível no SourceForge. Na próxima semana, publicaremos um post sobre este software.

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