28 May
Um projeto da Google já causa polêmica antes mesmo de sua própria implementação. O próximo passo divulgado da gigante será criar bancos de dados pessoais com informações de cada indivíduo que aceitar esses termos - provavelmente agregando ao seu sistema de buscas o software da recém-adquirida DoubleClick.
Para quê isso?
A idéia é que, no futuro, você possa perguntar para o Google que passeio você pode fazer hoje ou que trabalho você deveria escolher e obter as respostas baseadas nas informações que a Google recolheu sobre você durante suas navegações na internet.
No “Data Protection Act” (DPA), a Google diz que coletará apenas informação voluntária e usuários serão identificados pelo nome somente se logarem em serviços Google. Também consta no DPA que as informações serão usadas apenas para o fim proposto e haverá um período limite de tempo no qual as informações pessoais ficarão armazenadas.
Imagine buscar informações sobre férias no Google e receber uma busca personalizada que prioriza os destinos pelos quais você se interessa e, com ele, cotações de preços em agências. Genial, não? Segundo alguns, não.
Mas qual é o problema?
Os críticos - por que não dizer - extremistas dizem que esse é um grande passo em direção ao Estado Orwelliano descrito no livro “1984″, aquela história do Big Brother is watching you - e não, não o reality show.
Eles clamam que a iniciativa da Google fere as liberdades das pessoas por obter informações e lucrar sobre isso, e põem em dúvida a imparcialidade do programa, que pode sugerir uma opção patrocinada em vez de a melhor.
Além disso, dizem que esses bancos de dados seriam uma quebra de privacidade caso órgãos do governo obtivessem acesso a eles por alguma razão legal.
A fundamentação sempre parece mais interessante quando uma fonte literária é citada. Contudo, vê-se uma clara fragilidade nos argumentos da crítica.
A Google não quer criar 1984
A agregação de informações pessoais não é novidade para nós. Toda vez que nos cadastramos em lojas ou usamos cartões, essas informações são armazenadas e utilizadas mais tarde para oferecer serviços e produtos a um público mais próximo do alvo. Mesmo o passo de armazenar as buscas não é recente - vide Sponsored Links na própria Google.
É óbvio que a Google pretende lucrar sobre isso, qualquer empresa visa lucro. E sim, ela pode ser parcial e mostrar primeiro os links que dão algum lucro para ela, mas certamente indicados em cor diferente com o aviso “Sponsored Link” como acontece atualmente.
Quanto à obtenção de informações pessoais por medidas legais, a Google já se mostrou bastante confiável para quem a utiliza, até enfrentando problemas judiciais - inclusive no Brasil. E, convenhamos, se há uma medida legal que determina a quebra de sigilo das informações de uma pessoa, deve haver um motivo para tanto. Vão olhar seu banco de dados na Google, ok, mas também sua conta de telefone e sua conta bancária. Vai mesmo se preocupar com suas buscas na internet?
Além disso, o recolhimento de informações é voluntário. Cada pessoa pode ou não permitir que suas buscas sejam armazenadas. Isso é liberdade de escolha: você opta por armazenar suas informações pessoais e obter buscas mais eficientes e sugestões ou por continuar com buscas normais e não ceder seus dados.
Vemos extremistas em todos os lugares, mas uma reação comparando uma ferramenta de aprendizado ao Estado totalitário e sem privacidade narrado por George Orwell em 1949 extrapola qualquer barreira de sensatez.
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3 Responses for "Google is watching you"
É verdade que quem quer já publicou seus dados pessoais; minha critica a esse projeto não é por causa das questõess legais, ou quebra de privacidade, mas sim quanto a alguem precisar que outroslhe digam o que fazer, quando, aonde e com quem.
Realmente parece uma premissa, do que se ve em filmes futuristas, nos quais a sociedade é dirigida como autómatos, com pouca liberdade de escolha, até que não resta nenhuma.
Não concordo com o projeto; acho que deveriam criar outro, que leve as pessoas a pensar, e não em acomodar-se, deixando sua vida nas màos de outros.
Esse programa vai levar a uma sociedade bitolada, quadrada e pouco crecida como seres humanos, entes individuais únicos, especiais e inteligentes.
Alguem dirá que isso não é assim, que leva tempo, mas é assim mesmo, com o tempo e devagar, essas coisas se instalam e passam a ser vistas como normais, e nimguem mais se lembra como começaram; ahi já é demasiado tarde.
Sorry, sou meio radical!
Concordo plenamente com você, Dnnara, na tendência da sociedade mas não acho que seja culpa do software e sim do comodismo das pessoas.
Se você quiser se divertir um pouco de forma pensante, contudo, segue uns joguinhos baseados em softwares Google pra treinar o cérebro - e o inglês!
Diga que busca originou essas imagens:
http://www.gamesforthebrain.com/game/imagequiz/
Diga qual é a região indicada no mapa:
http://www.gamesforthebrain.com/game/guessplace/
Diga que busca originou esse resultado:
http://www.gamesforthebrain.com/game/whatsearch/
Boa diversão!
Oi Rafael,
Tal vez você possa imaginar, conhecendo meu blog, que minhaa ideia de diversão não é joginhos na rede; acho que existem outras formas de desenvolver o cérebro.
Mas provavelmente, para a sociedade de hoje, ainda é a melhor opção, ainda que eu não concorde.
Tudo o que representa alienação sempre é nocivo para as pessoas, e penso que os jogos são uma forma de alienação, quando jogados sosinhos.
Desenvolvem o cérebro, mas como fica o Desejo e a Paixão?, como ficam os sentimentos? Crece o cérebro em detrimento do coração, o que gera solidão e mais solidão.
Quanto a jogos em grupo, pelo menos as pessoas comunicam-se de allguma forma.
Sou um tanto radical, ne?
Sorry!
Bençãos!
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