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Linux, Open-source, Programação e Produtividade

Já não dá mais para chamar de nova a idéia de que o atual avanço tecnológico tornou mais fácil produzir todo tipo de conteúdo. A literatura está farta de títulos que desmantelam o assunto, tanto densos como o famoso Wealth of Networks de Yochai Benkler (Riqueza das Redes em português) até os mais “mastigados” como em Wikonomics de Don Tapscot, tentam explicar como temos avançado na produção de cultura, principalmente de maneira colaborativa e distribuída.

Entretanto, ainda que essa colaboração, a internet e principalmente o moderno computador pessoal estejam ai, a cultura dominante ainda não é a de produção, mas sim a de consumo. Foi em uma conversa que tive hoje a noite com Lucas Porto (um grande amigo), que acabamos por encontrar uma curiosa relação entre um outro conjunto de idéias que ao nosso ver pode contribuir para incentivar a produção, é a corrente do Viver Bem com Pouco.

A discussão desse assunto é bem extensa, ao contrário de elaborá-la, decidi reunir um pequeno conjunto de trocas e mudanças que apliquei a minha vida no último ano, e que acabam por resolver curiosamente ambos os problemas.

Noite da Culinária X Sair para Jantar

Reunir os amigos para sair é sempre um problema, primeiro tem todo uma logística para botar todo mundo no mesmo bar/restaurante e depois tem sempre o problema do preço. Todos somos universitários e para nós os restaurantes aqui em São Paulo costumam oferecer contas generosas. Foi pensando nisso, e também na diversão de aprender a cozinhar, que em setembro do ano passado comecei a receber amigos em casa para as Noites da Culinária. Ainda não chegamos no nível de criar nossas próprias receitas, mas sempre temos alguma oportunidade de inovar, trocar alguns ingredientes e testar o resultado (as vezes desastroso).

Caderno de Notas X PDA

Durante muito tempo eu tive um Motorola Q, um daqueles smartphones com acesso a internet em toda a cidade. O objetivo do dispositivo era me manter ligado na web, bem como servir de caderno de notas. A verdade é que acabei enjoando dele e decidindo arranjar algo mais novo como um famoso Iphone (consumismo exacerbado). Foi quando ganhei de um amigo um caderno de notas (um Moleskine :-) que acabei descobrindo ter páginas especiais para desenho. Resultado, meu celular + notebook continuam sendo mais do que suficientes para me manter cuidando dos meus afazeres (conectado), e ao invés de um complexo dispositivo para manter anotações e que me faria apenas consumir conteúdo, tenho agora um elegante caderno que até mesmo uso para desenhar . O mais legal, descobri que adoro fazer isso e o tempo que gastava lendo emails no meu PDA a cada 5 minutos, gasto agora a rabiscar fachadas de prédios e objetos quadrados (quem sabe um dia chego nas esferas).

Jogar RPG X Ir ao Cinema, Teatro ou ler um Livro

Sempre fui jogador de Role Playing Games (RPG) , desde os 9 anos. Nunca dispensei nenhum bom livro, tão pouco uma mostra de cinema ou uma peça de teatro. Só que nesses lugares sempre consumo, assim como quando ouço música e nunca produzo nenhum conteúdo novo. Na mesa de rpg, entretanto, eu e amigos criamos histórias, personagens e até mesmo já passamos meses criando mundos. Essa atividade já produziu muitas coisas bacanas, amadoras, e nenhuma publicada. Mas idéias como as de editar um livro com nossas melhores aventuras, ou até mesmo investir em jogos online baseados no enredo de mundos que criamos tem começado a ser colocadas em prática.

Se você já fez alguma troca como essa, conte para nós nos comentários. Pessoalmente, estou tentando chegar em um conjunto mínimo de objetos pessoais (até porque estou indo morar na França, e não quero levar muita tralha). Não estou nem um pouco interessado em chegar nas 100 things do desafio de David, e na verdade estou muito mais procurando “interfaces” como o papel e o lápis que não só me permitam consumir, mas também produzir. Mas qualquer sugestão é bem vinda.

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  • Filed under: Dicas, Opiniao
  • O Assunto de DRM é bem batido, todo mundo já falou um monte é verdade, mas o natal vem ai, e é tempo de relembrar.

    Dia 26 de novembro, o site DefectiveByDesign.org iniciou a campanha “35 dias contra DRM” com o famoso caso de DRM na saída hdmi do novo macbook da Apple. Esses novos aparelhos saem de fábrica com um chip que impede que determinados conteúdos sejam exibidos em alguns dispositivos de vídeo, que podem ser plugados no macbook. É verdade que o hdfury já resolve esse problema, entretanto essa questão vai muito além.

    A maior parte das vezes estamos muito mais preocupados com as questões práticas, que dizem respeito ao que podemos ou não fazer, e é nesses momentos que nos esquecemos do real impacto dessas medidas na sociedade. Yochai Benkler, em seu livro The Wealth of Networks(lembra dos reds, greens and blues?) explica através do “principio da bovinidade” de Lawrence Lessig como um conjunto pequeno de regras, efetivamente aplicadas, são suficientes para controlar um grande rebanho de animais. Segundo Benkler, esse foi um fator decisivo na diminuição do compartilhamento de músicas na internet, quando nos Estados Unidos se processou o criador do Kazaa e posteriormente os usuários que baixavam músicas em suas casas.

    Eu sou um grande fã dos produtos da Apple, e sempre tive boa fé na empresa. No dia 6 de fevereiro de 2007, dia em que fiz 20 anos, Steve Jobs havia publicado um texto intitulado Thoughts on Music, onde ele explicava as razões pela qual a Apple tinha que oferecer as musicas com DRM pela loja virtual do ITunes, e como a empresa tinha interesse em poder vender música DRM-Free, caso as gravadoras aceitassem. Entretanto nós anos seguintes, cada vez mais os produtos da empresa passaram a conter DRM, entre eles o IPhone e agora o mac.

    Minha mãe estava prestes a ganhar um macmini neste natal, ele não vem com nenhum drm até onde eu saiba, mas ainda assim estou vendo que ela vai ter que se contentar com algum hardware da efigênia, com Ubuntu 8.10, e não vai ser por causa da alta do dólar.

    Mudando um pouco o assunto, já que falei do Ubuntu, essa semana eu participei de uma palestra com Christian Reis, que trabalha para Canonical(criadora do Ubuntu). O Kiko é responsável pela coordenação de 35 engenheiros remotos na produção do Launchpad, um trabalho bem interessante, que vai dar um ótimo post no futuro próximo :-).

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    Linguagens de programação - Ruby

    Ruby Ruby foi criada no Japão, por Yukihiro Matsumoto que teve como objetivos na sua obra o enfoque nos programadores e não nos computadores, afinal nós somos os mestres e eles são os escravos.

    E definitivamente, programar em Ruby é uma diversão e todas as coisas legais não caberão neste post. Em Ruby, tudo é objeto. Por exemplo, um inteiro é um objeto e tem o método abs que devolve o valor absoluto, assim como o método odd? que devolve true se um inteiro for ímpar. Uma função booleana pode terminar em ?, o que torna os programas mais legíveis. Ruby também permite que você passe blocos de código como parâmetro de função.

    Outra coisa interessante são os símbolos. Vamos supor que você tenha uma coleção de camisetas e cada um tamanho. Podemos usar Strings para os tamanhos, mas cada um seria um objeto diferente. Uma solução legal que Ruby nos permite fazer são os símbolos. Assim, toda camiseta que tiver o tamanho pequeno terá o atributo tamanho = :pequeno que é único.

    Se você quiser saber se algo está em um intervalo, você pode usar o range e o === (sim, são três iguais). Ele devolve se algo está em um intervalo por exemplo (’a’..’d') === ‘c’ é true, mas (’a’..’d') === ‘f’ é false.

    Alguns sites interessantes sobre Ruby:

    Esse post foi escrito por Rodrigo Flores, um aluno de ciência da computação do IME/USP, programador Ruby, tradutor de Software Livre e que mantém um blog Rodrigo Flores Blog.

    Foto por elliottcable.

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    Reds, Greens and Blues

    Outro dia destes enquanto viajava para casa dos meus pais, fui surpreendido por uma explicação muito boa do Yochai Benkler, a respeito de liberdade individual, no capítulo Individual Freedon: Autonomy, Information and Law, do livro the Wealth of Networks, distribuido sob a licensa Creative Commons.

    Benkler supunha a existência de três sociedades contadoras de histórias, Reds, Greens and Blues. Cada uma dessas sociedades respeita um conjunto de costumes a respeito de como contar histórias.

    Tais contos tem papel fundamental em como os membros da sociedade entendem e dão valor ao mundo. Elas são a maneira pela qual as pessoas descrevem, o mundo que vêem, e pela qual discutem como ele poderia ser.

    Cada sociedade conta história de maneiras diferentes:

    • Entre os Reds, ser um contador de histórias é uma questão de hereditariedade, e o contador é quem decide as histórias que deseja contar.
    • Entre os Blues, a cada noite, o contador é escolhido por votação com maioria simples.
    • Entre os Greens qualquer um pode contar histórias, a qualquer momento.

    Outra coisa é diferente nessas sociedades. Os Reds e Blues são pessoas muito ocupadas, e ninguém entre eles conta histórias a não ser a noite, quando todos se juntam em grandes tendas, ao passo que os Greens podem contar histórias sempre que encontram alguém interessado.

    Você, leitor do vidageek, conseguiria discutir a respeito de com a liberdade e a autonomia da informação se daria nessas sociedades, parece óbvio que entre os Greens a informação circula de uma maneira bem mais livre, mas será que os Greens não geram muitas histórias quaisquer, impedindo que as percepções realmente interessantes cheguem a maior parte deles?

    A análise que Benkler dá para este cenário é bastante complexa, e não cabe em um post, mas para os que querem ir além, vale muito a pena ler o capítulo que fala das sociedades.

    Vocês podem deixar comentários sobre o que acham que poderia acontecer, e agente vai discutindo.

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