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Linux, Open-source, Programação e Produtividade

Ontem, Fabio Akita deu uma palestra no FISL 10 sobre Ruby on Rails. Foi uma palestra lotada e divertida.

A palestra começou com uma breve introdução ao arcabouço, um outline da palestra. O Fabio falou de como surgiu o arcabouço, qual era seu objetivo inicial, falou das atuais versões de Ruby, de Rails e do JRuby e da importância da comunidade para o projeto.

Em seguida, na parte mais divertida da palestra, o Akita mostrou alguns dados sobre a performance da máquina virtual de Ruby. Mostrou, por exemplo, o ganho de velocidade da versão 1.8 para a versão 1.9 da máquina virtual “padrão” de Ruby por meio de um jogo muito interessante chamado “Rubystein” que eu, pelo menos, não conhecia nessa versão… hehehe). O jogo, aliás, utiliza uma biblioteca para acessar o hardware diretamente para fazer o desenho 2D: Gosu.

Depois da demostração de ganho de velocidade realmente impressionante da nova máquina virtual, falou um pouco da importância da comunidade para se aprender e divulgar Ruby on Rails. Citou, inclusive, alguns sites muito bons para ficar por dentro das últimas novidades sobre o projeto:

Em seguida, Fabio falou de alguns recursos que já vem embutidos no Rails mas que nem todo mundo lembra, motivo pelo qual, segundo ele, algumas pessoas xingam Rails sem motivo. Dentre essas funcionalidades, vale destacar o suporte a autenticação HTTP básica, Atom, internacionalização (i18n para os íntimos), XML, JSON, e-mail e caching.

Para terminar, o Akita fez uma demonstração de algumas funcionalidades incrementando o já famoso blog de 15 minutos. Criou uma área de administração com login, colocou caching, um editor de texto mais incrementado e suporte a upload de arquivos, para citar as mais legais.

Enfim, aprendi algumas coisas novas com essa palestra; gostei! E acho que também agradou a quem não conhecia quase nada de Rails. Parabéns, Akita. Mas faltou alguma coisa de metodologias ágeis na palestra (pelo título).

O código que ele mostrou na palestra está no GitHub e os slides, no SlideShare.

Assim que der tempo falo sobre as outras três palestras que assisti ontem, apesar da visita do nosso presidente ter atrapalhado um pouco o andamento do evento…

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    FISL 10: Primeiro dia, organização e dojo

    A décima edição do FISL começou ontem, na PUC-RS, em Porto Alegre. A localização não é novidade, mas a data terrível atrapalhou bastante as caravanas das universidades públicas. A citar, o IME-USP que, no ano passado, foi a maior caravana do FISL com mais de 50 pessoas, teve meras 14 pessoas vindo de ônibus conosco.

    Após uma sugestão (muito mal recebida) de mover o FISL para uma cidade que ofereça mais recursos, como Curitiba, houve promessas de, no ano que vem, termos um lugar melhor para realizar esse evento. Disseram que a governadora do Rio Grande do Sul estaria aqui, ontem, na abertura do evento. Não vi, mas não duvido. No horário da abertura, ocorria um Coding Dojo organizado pela galera do DojoSP no estande da Locaweb - ontem foi em Python, hoje, segundo o Daniel Cukier da Locaweb, será em Ruby.

    Se você não sabe o que é um coding dojo, apareça na sessão hoje, às 13h na sala MSL-PR, ou dê uma olhada nos posts:

    FISL 9.0: Coding Dojo
    Screencast do Coding Dojo

    O Jonas assistiu uma palestra com um desembargador brasileiro e o senador que escreveu o projeto de lei que rege sobre crimes virtuais. Mais tarde, ele vai escrever um post completo contando o conteúdo em detalhes. Parece que foi bastante interessante.

    Pena, que a organização do FISL impediu que os palestrantes respondessem uma pergunta bastante pertinente sobre o que o Governo tem em mente para impedir a interpretação errônea da lei, que poderia prejudicar pessoas. Impediu, porque, depois de a pergunta ser feita, o coordenador de mesa declarou que o tempo acabou. O palestrante pediu para responder apenas essa pergunta (que é extremamente pertinente) e recebeu um claro “Não.” na cara. Feio, organização do FISL, muito feio.

    Mais feio ainda impedir palestrantes de entrar na sala VIP (sala dos palestrantes) no final da tarde de ontem porque “a sala está reservada para as autoridades da abertura”. Palestrantes contam com a sala também para fazer coisas pertinentes ao FISL - terminar sua palestra, por exemplo!

    Que era o caso do Luiz, aqui do Vidageek, e do Fabio Kung. Eles vão se degladiar numa palestra hoje, às 16h na sala fisl6 (41-E), comparando os frameworks de desenvolvimento web Rails (Ruby) e Seaside (Smalltalk). Atenção no horário e local! A programação mudou e não alteraram na grade - é no espaço que parece estar vazio às 16h de hoje.

    Aliás, falando na grade de palestras… organização, se tem gaps vazios em algumas salas de palestras, por que não passaram mais algumas palestras inscritas e refutadas — muitas vezes, sem nem notas, nem comentários ou razões reais para não terem passado. Ouvi de um palestrante que passou na “segunda chamada” que ele tinha 4 aceitações fortes, uma rejeição fraca e não passou. Bizarro, hein? Outros nem receberam as notas ainda.

    Um grupo de pessoas da USP sugeriu trocar o sistema pobre de submissão e avaliação de palestras que se usa atualmente pelo sistema que é usado na organização todas as conferências mundiais da Debian. A organização disse que era tarde de mais pra isso - e a submissão de palestras não estava aberta ainda.

    Muitos por quês e muitas críticas. Fica uma sugestão: colocar mais pessoas de outros Estados na organização. Muita gente está achando que a organização está regionalista de mais. E isso é, provavelmente, a parte mais fácil de resolver.

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    Numa das melhores palestras que eu assisti nesse FISL inteiro, Carlos Affonso Pereira de Souza falou sobre as leis relativas ao direito autoral e também sobre a legislação sobre domínio público. Não que software livre esteja intimamente ligado ao tema, mas foi interessante saber da visão jurídica sobre software.

    Após uma definição tripla de domínio público, em termos populares - o que interessa a todos, o que vem depois do direito autoral e o direito que se tem de acessar coisas velhas - a palestra tomou seu rumo legal.

    Três artigos foram citados durante a palestra:

    • Lei no. 9610/98 - Artigo 41 Domínio público 70 anos após morte do autor
    • Lei no. 9610/98 - Artigo 42 Domínio público 70 anos após publicação de obra audiovisual
    • Lei no. 9609/98 - Artigo 2 Domínio público 50 anos após publicação de software

    Também aprendemos que o limitante inferior para essas datas foi estabelecido na Convenção de Berna e que algumas obras caem em domínio público imediatamente, no caso de autor desconhecido ou sem sucessores, ou nem mesmo podem receber direitos autorais, quando não há originalidade, por exemplo. Além disso, diferentemente dos Estados Unidos, não se pode, no Brasil, proteger idéias não implementadas.

    Mas o foco não era esse: o ponto era o Domínio Público. O palestrante sugere que, assim como o software livre, outras produções culturais brasileiras deveriam estar disponíveis em domínio público, mas optam por ter direitos autorais por desconhecimento. O que precisa ser entendido é que os direitos morais se mantém (isto é, autoria e obrigação de divulgá-la e atribuir os créditos ao autor); apenas os direitos do monopólio de exploração da sua obra não se mantêm.

    Com isso, passamos para os dois outros palestrantes, representantes de dois projetos de incentivo ao uso do Domínio Público.

    O SESC-SP tem instruido grupos de teatro independentes sobre as leis do assunto e incentivado a liberação do material teatral para o público geral quando as peças saem de cartaz.

    Enquanto isso, o grupo de Bruno Magrani trabalha na liberação das obras de Noel Rosa como domínio público. Eles entendem o domínio público com a celebração maior da cultura - quando todos têm acesso a ela.

    Como leitura recomendada na palestra, fica a página da Wikipedia sobre domínio público, material elogiado pelo palestrante principal.

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    FISL 9.0: Jornalismo Livre

    Essa palestra iniciou com a motivação do tema: o jornalismo deveria ter os mesmos preceitos do software livre: colaboração, participação da comunidade, estudo e reuso de material, etc. Para isso, discutiu-se como ordenar uma colaboração do público de forma não autoritária e descentralizada.

    A proposta é sempre publicar fontes da informação do texto gerado, oferecer liberdades de uso e cópia, mas restringindo seu uso comercial de forma a não fechar essa informação.

    Assim, o que a diferenciaria do uso tradicional é que cada um teria as fontes necessárias para gerar um novo material sobre um determinado texto com sua leitura pessoal, diminuindo a parcialidade vista hoje nas fontes tradicionais.

    Apesar das infelizes metáforas ligando programação a jornalismo (textos = programas, código fonte = fonte jornalística, fontes e jornalistas = arquitetura) e o tema não ter sido explicado de forma interessante, o tema é digno de discussão:

    No fim das contas, um jornalismo livre causaria muitos textos de baixa qualidade e a falta de crítica do público poderia causar um efeito ruim ou esse mesmo jornalismo reduziria o tendenciamento da informação pelas grandes mídias?

    Em opinião pessoal e em defesa de blogs muito bons que vemos pela internet, acho difícil acreditar que o conteúdo gerado por usuários seja pior do que o gerado pela mídia tradicional, se tivermos acesso às mesmas fontes.

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