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FISL 9.0: Jornalismo Livre

Essa palestra iniciou com a motivação do tema: o jornalismo deveria ter os mesmos preceitos do software livre: colaboração, participação da comunidade, estudo e reuso de material, etc. Para isso, discutiu-se como ordenar uma colaboração do público de forma não autoritária e descentralizada.

A proposta é sempre publicar fontes da informação do texto gerado, oferecer liberdades de uso e cópia, mas restringindo seu uso comercial de forma a não fechar essa informação.

Assim, o que a diferenciaria do uso tradicional é que cada um teria as fontes necessárias para gerar um novo material sobre um determinado texto com sua leitura pessoal, diminuindo a parcialidade vista hoje nas fontes tradicionais.

Apesar das infelizes metáforas ligando programação a jornalismo (textos = programas, código fonte = fonte jornalística, fontes e jornalistas = arquitetura) e o tema não ter sido explicado de forma interessante, o tema é digno de discussão:

No fim das contas, um jornalismo livre causaria muitos textos de baixa qualidade e a falta de crítica do público poderia causar um efeito ruim ou esse mesmo jornalismo reduziria o tendenciamento da informação pelas grandes mídias?

Em opinião pessoal e em defesa de blogs muito bons que vemos pela internet, acho difícil acreditar que o conteúdo gerado por usuários seja pior do que o gerado pela mídia tradicional, se tivermos acesso às mesmas fontes.

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    E quando nossos heróis tombarem?

    O FISL já terminou faz algumas semanas e eu ainda não consegui escrever sobre uma palestra: “Why is Software Livre! like a Pianola”, de John “Maddog” Hall.

    Seria impossível falar sobre esta palestra sem fazer um ataque violento contra o palestrante. Em vez disso, prefiro falar sobre uma discussão que esta palestra acabou gerando entre amigos meus e eu. Enquanto voltávamos para o hotel, profundamente decepcionados com a palestra, surgiu uma discussão sobre aqueles que são considerados os principais representantes do movimento de Software Livre. Richard Stallman, Linus Torvalds e, claro, Maddog.

    É inegável o papel fundamental que esses três representaram (e ainda representam) para todo o movimento. São feitas camisetas de Stallman comparando-o com Che Guevara. Todos eles são símbolos vivos de algo muito maior. Simbolizam toda uma mudança no modelo econômico de produção de software. Uma mudança monstruosa na forma como o conhecimento é passado. É praticamente uma revolução (se é que não podemos chamar realmente de revolução) que está acontecendo debaixo dos narizes do mundo e muitas pessoas envolvidas ainda não se deram conta. Mas não é esse o ponto.

    O problema é que quanto maior fica o movimento, mais importantes essas três pessoas se tornam. E muito mais sentido será o momento em que eles caírem - seja quando morrerem ou quando fizerem uma besteira muito grande. Quantos movimentos não foram simplesmente aniquilados simplesmente porque seu símbolo foi destruído? Eles são apenas humanos e, como humanos, um dia cairão. E o que essa queda irá causar? Será que o movimento já possui forças para caminhar sem seus símbolos? Será que já é possível sair de debaixo das asas dos pais e atingir a maioridade? Viver por suas próprias pernas? Acredito que ainda não.

    Ainda é muito visível a cara de criança birrenta que o movimento tem (como exemplo, quem nunca defendeu com unhas e dentes o Linux contra as investidas de um fanático pela Microsoft?). E enquanto ainda tivermos em nossa mente a imagem dos mártires protetores do Software Livre nunca cresceremos de verdade.

    Será que ao invés de possuir um equivalente livre para cada software proprietário não é mais importante informar da liberdade que temos quando usamos Software Livre? Não falo apenas da liberdade de modificação de código fonte. Isso não é nada quando comparado com a liberdade de escolha que pode ser estendida a qualquer pessoa no mundo. Será que não é o momento de aproveitar a expansão do movimento e começarmos a mostrar que não somos apenas idealistas mas pessoas comuns, apenas livres em aspectos que os outros não são? Será que a verdadeira alma do movimento não é a liberdade?

    Acredito que devamos estender esta liberdade a todos os pontos. Liberdade ao pensamento. Liberdade às escolhas. Liberdade à vida. Nós não somos livres (engana-se muito aquele que pensa que a única coisa que nos prende são grades). Como exemplo simples, existe a questão do voto. Ninguém pode escolher votar ou não votar. De que adianta do nosso computador para dentro sermos livres e fora dele estarmos presos a pequenas rixas contra o software proprietário?

    Não estou defendendo software proprietário, mas esse é um modelo de negócios que não vai sumir porque o Software Livre existe. Devemos procurar uma forma de coexistir com isso. Mas para isso é necessário que comecemos a nos afastar da iconoclastia, que é vital para se destruir algo, mas que sempre atrapalha durante construções. O momento em que precisamos destruir e andar sobre escombros já está passando, mas muitos ainda estão pensando em jogar bombas por todo lado. Nossos heróis precisaram destruir, para que nós possamos construir.

    O Software Livre já se consolidou como uma alternativa, mas ele tem potencial para ser muito mais do que isso. Ele pode ser um direito à escolha. Pensem nisso. Pensem até onde pode ir essa simples liberdade de escolha.

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