12 Nov
Faz quase um ano que eu escrevi e ainda não tinha sido publicado ^.^.
Já estava na hora da maré literária tomar outro rumo. É verdade que todo mundo adora uma fantasia, principalmente recheada de bruxos, dragões, cavaleiros nobres, anéis mágicos, mas eu particularmente já estava um pouco cansado. Foi então que vieram as conspirações religiosas, os cálices sagrados e novamente fomos bombardeados pela mesmo tipo de enredo, vai um personagem aqui , um pintor famoso ali. Foi então que para minha salvação a cultura árabe abarrotou as prateleiras das nossas livrarias. Com publicações estonteantes como Meu Nome é Vermelho, de Orhan Pamuk, e Névoa que deu a Orhan prêmio nobel de Literatura em 2006.
Entretanto o meu título predileto não está entre os tão aclamados romances turcos, mas sim, nas páginas de um outro árabe, o afegão Khaled Hossein. Esse escritor nasceu em Cabul, em 1965 e aos 11 anos se mudou com a família para Paris. Ao regressar ao Afeganistão entretanto, Hossein foi vítima da violenta invasão soviética. Em 1980 então mudou-se para Califórnia, onde se formou médico.
Não contente em apenas salvar vidas, Hossein escreveu o Caçador de Pipas, um romance sobre a relação entre dois garotos. Amir e Hassan nasceram e cresceram juntos, mamaram do mesmo leite porém eram bastante diferentes. Amir proveniente de uma família de posses era fraco e indeciso, ao passo que Hassan um hazara, pessoas consideradas um povo inferior, como os intocáveis na Índia, era bravo e corajoso, muitas vezes mais inteligente e sábio que Amir, sem nem mesmo saber ler.
Muitos dos temas da literatura se juntam nesse romance sobre valores, ao mesmo tempo que o livro se apresenta como uma história universal, que poderia ter ocorrido em qualquer canto do mundo, também traz as tradições árabes e pinta em nossa mente um Afeganistão diferente do que estamos acostumados a ver na televisão. Em uma trama fantástica, Hassan acabaria por decidir o futuro de Amir durante uma brincadeira com pipas, a batalha pela pipa azul.
Outro dia desses fui visitar uma amiga em Santos e ela estava com o Filme, vale muito a pena para quem não quer ler o livro pois é bem fiel.
Esse livro é do tipo que marca , que deixa seu enredo cravado em algum canto da alma do leitor. Certamente como eu, por causa de uma simples pipa, se você ler este livro, nunca mais vai esquecer da calça de veludo cotelê marrom.
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3 Aug

Caros leitores, alguns assuntos normalmente não são abordados neste blog, como cinema, jogos, séries e outros. Isso porque o tema do blog sempre foi (ou pelo menos tentou ser) programação e computação em geral (com um certo foco em softwares open-source). Mas todos aqui no blog são Geeks e consequentemente gostamos de coisas “diferentes” do normal (para não dizer estranhas). Decidimos compartilhar com vocês nossos gostos, opiniões e descobertas.
Por isso, a partir do próximo domingo, teremos essa nova coluna semanal, a Geek Style of Life que conterá assuntos que fazem parte da vida de um Geek indo além da profissão. Espere ver itens como ficção científica, RPG, xadrez e outros temas de interesse de um Geek. Obviamente não somos especializados no assunto, mas daremos uma visão pessoal sobre estes itens e indicaremos links mais apropriados para conhecer melhor o assunto.
Estes temas já foram abordados antes, mas não não tinham o seu espaço próprio no blog. As tags Humor, Jogos e Livros estão repletas desse tipo de posts. Até domingo!
Imagem por illusiondevivre
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7 May
José Saramago teve uma ótima idéia para um livro, e usou seu talento muito bem para escrever “Ensaio sobre a cegueira”.
O livro narra a história de uma doença de causas desconhecidas que afeta uma nação inteira (na verdade, os limites do avanço da doença não ficaram muito claros, mas isso não é muito importante). Tudo começa com uma cegueira súbita de um cidadão enquanto dirigia seu carro. Ele estava esperando o semáforo ficar verde, quando, de repente, fica cego.
Mais pessoas vão ficando cegas; a doença se alastra numa velocidade espantosa. As autoridades tomam medidas para tentar impedir seu avanço, como colocar em quarentena os doentes, mas nada parece fazer efeito. Apenas uma pessoa não fica cega, e essa pessoa passa a descrever o mundo de cegos.
O mais interessante no livro não é o progresso da doença, mas o estudo do comportamento das pessoas frente à doença: algumas tentando sempre levar vantagem, outras altruístas, outras simplesmente egoístas. Todos esses aspectos são analisados sob um ponto de vista diferente.
Outra característica bastante interessante no livro é a descrição que é apresentada das pessoas se adaptando à vida sem visão. O nível de detalhamento é fantástico, e faz parecer que o próprio autor do livro passou pela situação. Essas partes do livro, aliás, mostram as dificuldades que passa alguém que fica cego, algumas das quais a gente nem percebe.
Em suma, o livro é muito interessante. Dá asas à imaginação sem sair do mundo real, e faz-nos pensar sobre nossa própria natureza, sobre nossas vidas e o mundo em que vivemos. Recomendo!
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4 Feb
Eu acredito que um bom conto seja muito mais difícil de escrever do que um bom romance.
O conto é mais curto e é necessária muita habilidade para em poucas páginas apresentar os personagens e contar a história. Normalmente bons escritores de romances não são muito bons contistas. Tolstóy é uma exceção.
Quando peguei este livro para ler, já fui com altas expectativas. Eu esperava algo no mínimo à altura de Guerra e Paz. O livro superou muito o que eu esperava.
“O Diabo e outras histórias” reune cinco contos maravilhosos, com cenas realmente marcantes (do tipo que passam meses e você ainda lembra como se tivesse visto hoje cedo) e uma grande carga emocional. Chega a ser assustadora a leitura de alguns trechos.
Embora os cinco contos sejam incriveis, os dois últimos contos (”Falso cupom” e “Depois do baile”) merecem destaque.
“Falso cupom” é uma história que começa simples. Um garoto é convencido a enganar uma vendedora pagando com um cupom falsificado (no caso, cupom é quase como um cheque) por ele. Isso começa a desencadear uma série de eventos (um mais destrutivo que o outro) que praticamente vai arrasando o modo de vida das pessoas. Até o momento (pra mim, a cena mais marcante do livro) em que uma pessoa não reage com agressividade quando é vítima do que o cupom criou. Após isso começa uma espécie de caminhada de redenção, onde todos que fizeram algo de errado devem pagar. É muito interessante o ciclo que é formado e como a história é contada.
“Depois do baile” trata da destruição da imagem que podemos ter de uma pessoa. Um jovem vai ao baile, dança a noite inteira com a garota pela qual estava apaixonado e conhece o pai dela (que aparentemente aprova as intenções do jovem). O pai dela, general do exército russo desperta nele muita adimiração. Após o baile, ele não consegue dormir e resolve passear pela noite. Ao amanhecer encontra presos sendo transportados pelo general que conhecera no baile. Não continuo pois destruiria o conto, que é muito bem narrado por Tólstoy.
É um livro que realmente me surpreendreu. Se alguém está apaixonado pela literatura russa como eu, esse livro é obrigatório.
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