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Archive for the ‘Opiniao’ Category

Voltando as atividades

Alguns leitores perceberam que ontem voltamos a atividade e quiseram saber o porque da ausência de posts nos últimos meses. Decidimos explicar o motivo e comentar o que vocês poderão esperar do blog no futuro.

Apesar de termos cinco membros, somos todos do quarto ano do Bacharelado em Ciência da Computação da USP. O que ocorre é que temos um final de semestre sempre complicado pois é onde os professores mais nos cobram. Além disso desenvolvemos ativadades paralelas como estágio e iniciação ciêntifica. Isso causou uma correria para todos nos últimos meses, o que levou a uma ausência de posts aqui no VidaGeek.net.

Nossos planos são para que isso não ocorra mais. Alguns alunos farão menos matérias esse semestre e com isso terão mais tempo para escrever. Além disso, nos organizaremos melhor para que sempre haja conteúdo novo no site.

Nos próximos meses pretendemos realizar alguns mini-projetos para melhorar a qualidade do blog. Pretendemos alterar o tema para um mais bonito, eficiênte e clean, permitir o envio de dúvidas para que sejam respondidas semanalmente, criar uma newsletter mensal e permitir outras formas de comunicação entre nós e os nossos leitores. Portanto, o blog voltará a ativa com várias novidades.

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  • SNL - Ensaio sobre a cegueira

    José Saramago teve uma ótima idéia para um livro, e usou seu talento muito bem para escrever “Ensaio sobre a cegueira”.

    O livro narra a história de uma doença de causas desconhecidas que afeta uma nação inteira (na verdade, os limites do avanço da doença não ficaram muito claros, mas isso não é muito importante). Tudo começa com uma cegueira súbita de um cidadão enquanto dirigia seu carro. Ele estava esperando o semáforo ficar verde, quando, de repente, fica cego.

    Mais pessoas vão ficando cegas; a doença se alastra numa velocidade espantosa. As autoridades tomam medidas para tentar impedir seu avanço, como colocar em quarentena os doentes, mas nada parece fazer efeito. Apenas uma pessoa não fica cega, e essa pessoa passa a descrever o mundo de cegos.

    O mais interessante no livro não é o progresso da doença, mas o estudo do comportamento das pessoas frente à doença: algumas tentando sempre levar vantagem, outras altruístas, outras simplesmente egoístas. Todos esses aspectos são analisados sob um ponto de vista diferente.

    Outra característica bastante interessante no livro é a descrição que é apresentada das pessoas se adaptando à vida sem visão. O nível de detalhamento é fantástico, e faz parecer que o próprio autor do livro passou pela situação. Essas partes do livro, aliás, mostram as dificuldades que passa alguém que fica cego, algumas das quais a gente nem percebe.

    Em suma, o livro é muito interessante. Dá asas à imaginação sem sair do mundo real, e faz-nos pensar sobre nossa própria natureza, sobre nossas vidas e o mundo em que vivemos. Recomendo!

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  • Filed under: Dicas, Livros, Opiniao
  • Numa das melhores palestras que eu assisti nesse FISL inteiro, Carlos Affonso Pereira de Souza falou sobre as leis relativas ao direito autoral e também sobre a legislação sobre domínio público. Não que software livre esteja intimamente ligado ao tema, mas foi interessante saber da visão jurídica sobre software.

    Após uma definição tripla de domínio público, em termos populares - o que interessa a todos, o que vem depois do direito autoral e o direito que se tem de acessar coisas velhas - a palestra tomou seu rumo legal.

    Três artigos foram citados durante a palestra:

    • Lei no. 9610/98 - Artigo 41 Domínio público 70 anos após morte do autor
    • Lei no. 9610/98 - Artigo 42 Domínio público 70 anos após publicação de obra audiovisual
    • Lei no. 9609/98 - Artigo 2 Domínio público 50 anos após publicação de software

    Também aprendemos que o limitante inferior para essas datas foi estabelecido na Convenção de Berna e que algumas obras caem em domínio público imediatamente, no caso de autor desconhecido ou sem sucessores, ou nem mesmo podem receber direitos autorais, quando não há originalidade, por exemplo. Além disso, diferentemente dos Estados Unidos, não se pode, no Brasil, proteger idéias não implementadas.

    Mas o foco não era esse: o ponto era o Domínio Público. O palestrante sugere que, assim como o software livre, outras produções culturais brasileiras deveriam estar disponíveis em domínio público, mas optam por ter direitos autorais por desconhecimento. O que precisa ser entendido é que os direitos morais se mantém (isto é, autoria e obrigação de divulgá-la e atribuir os créditos ao autor); apenas os direitos do monopólio de exploração da sua obra não se mantêm.

    Com isso, passamos para os dois outros palestrantes, representantes de dois projetos de incentivo ao uso do Domínio Público.

    O SESC-SP tem instruido grupos de teatro independentes sobre as leis do assunto e incentivado a liberação do material teatral para o público geral quando as peças saem de cartaz.

    Enquanto isso, o grupo de Bruno Magrani trabalha na liberação das obras de Noel Rosa como domínio público. Eles entendem o domínio público com a celebração maior da cultura - quando todos têm acesso a ela.

    Como leitura recomendada na palestra, fica a página da Wikipedia sobre domínio público, material elogiado pelo palestrante principal.

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    FISL 9.0: Jornalismo Livre

    Essa palestra iniciou com a motivação do tema: o jornalismo deveria ter os mesmos preceitos do software livre: colaboração, participação da comunidade, estudo e reuso de material, etc. Para isso, discutiu-se como ordenar uma colaboração do público de forma não autoritária e descentralizada.

    A proposta é sempre publicar fontes da informação do texto gerado, oferecer liberdades de uso e cópia, mas restringindo seu uso comercial de forma a não fechar essa informação.

    Assim, o que a diferenciaria do uso tradicional é que cada um teria as fontes necessárias para gerar um novo material sobre um determinado texto com sua leitura pessoal, diminuindo a parcialidade vista hoje nas fontes tradicionais.

    Apesar das infelizes metáforas ligando programação a jornalismo (textos = programas, código fonte = fonte jornalística, fontes e jornalistas = arquitetura) e o tema não ter sido explicado de forma interessante, o tema é digno de discussão:

    No fim das contas, um jornalismo livre causaria muitos textos de baixa qualidade e a falta de crítica do público poderia causar um efeito ruim ou esse mesmo jornalismo reduziria o tendenciamento da informação pelas grandes mídias?

    Em opinião pessoal e em defesa de blogs muito bons que vemos pela internet, acho difícil acreditar que o conteúdo gerado por usuários seja pior do que o gerado pela mídia tradicional, se tivermos acesso às mesmas fontes.

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