O mal dos programadores
Author: Jonas Abreu
29
Aug
As coisas boas de ser um programador a maioria das pessoas já conhece. Temos o horário mais flexível (nem sempre…), muitos nos adoram e temem (afinal, computação é um monstro medieval que ninguém consegue entender), ganhamos mais fazendo aparentemente menos (isso com certeza não é verdade), podemos causar danos sérios às empresas para as quais trabalhamos (não vejo como vantagem, mas é verdade.), e outros.
O que ninguém fala é dos diversos problemas que parecemos ganhar de brinde quando começamos a programar um pouquinho melhor. Quem nunca sentiu os braços doerem enquanto está digitando (especialmente durante aquela noite de entrega de trabalho ou migração de sistema) ? Quem nunca ficou com os olhos ardendo por causa do monitor? Dores pelo corpo e outros? Enfim, eu já apresentei todos esses problemas e mais alguns. Como eu sei que isso acontece com muitos programadores, aqui vai o que eu fiz para resolver (ou pelo menos melhorar):
- Tendinite: Resolvi meus problemas com tendinite de uma forma besta (não era um caso sério, apenas me incomodava bastante). Simplesmente comecei a alongar meus braços, pulsos e dedos por três minutos antes de começar a digitar (claro que não me alongo se for ficar menos de dez minutos no micro) e pelo menos mais três minutos de duas em duas horas (durante alguma pausa pra relaxar um pouco).
- Vista Cansada: Essa foi mais complicada. Eu comecei fazendo pausas de 5 minutos a cada hora de programação, isso melhorava mas não resolvia o problema. Comprei um monitor LCD de 17” e o problema praticamente sumiu. A qualidade dos monitores de LCD é muito superior à dos monitores comuns. Mas ainda mantenho minhas pausas (sem contar que aproveito para alongar os braços)
- Insônia: Esse ainda não consegui resolver, mas já melhorei bastante. Primeiro, tirei o micro do meu quarto. Meu corpo estava associando o quarto a lugar de trabalho e eu não conseguia relaxar durante a noite. Depois, restringi o uso (na medida do possível) para que pelo menos meia hora antes de eu dormir o micro já estivesse desligado. O monitor novo também ajudou.
- Dores pelo corpo: Esse ainda está sem solução, mas começando algum esporte ou fazendo alongamento pela manhã com certeza melhorarei bastante.
- Gastrite ou princípio de úlcera: Parei de beber café o tempo inteiro (a Italian Coffee perdeu um bom consumidor) e estou me alimentando melhor (um bom café da manhã, um almoço razoável e perto da hora do almoço - nada de almoçar as dez da manhã ou as quatro da tarde - e uma janta leve.
- Gripe e resfriado constante: resolvi isso tendo sempre uma blusa na minha mochila, não importa quão quente esteja do lado de fora do laboratório. Qualquer lugar com computadores ou é muito quente ou muito frio.
- Checar e-mail o tempo inteiro: Isso na verdade não é uma síndrome ligada apenas a programadores. Todo mundo checa o e-mail o tempo inteiro. Minha solução é um pouco radical. Aos fins de semana eu não acesso e-mail. É difícil pois costuma ser a primeira coisa que faço no micro, mas parece estar funcionando. Ah, e também não acesso pouco antes de ir dormir (senão ia perder tempo de sono para ver coisas que não são necessariamente vitais).
Se alguém tiver mais dicas de como sobrevivermos à profissão, por favor coloque um comentário.
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Filed under: Dicas, Opiniao
Tags: Dicas, dores, email, gastrite, gripe, insonia, Opiniao, programador, resfriado, tendinite, ulcera, vista_cancada
10 Responses for "O mal dos programadores"
Opa,
O problema de DORT, LER, eu amenizei com o WorkRave [1].
“”"
Workrave is a program that assists in the recovery and prevention of Repetitive Strain Injury (RSI). The program frequently alerts you to take micro-pauses, rest breaks and restricts you to your daily limit. Please refer to the feature comparison for a complete list of features, and how the program performs with respect to other programs on the market. The program runs on GNU/Linux and Microsoft Windows.
“”"
1 - http://www.workrave.com/
–
Até mais e boa sorte,
Nycholas de Oliveira e Oliveira.
Sobre os monitores, há uma informação incorreta aí. Não é que a qualidade dos monitores LCD é muito superior aos antigos (com tubos de raio catódicos ou CRT). Essa informação é incorreta porque a qualidade, tanto de ponto de exibição quanto de velocidade de mudança de exibição de cada ponto é, sim, muito superior, ainda, nos monitores CRT. O fenômeno de vista cansada que ocorre com os monitores CRT é devido à taxa de atualização. De fato pouca gente sabe disse e sofre com isso. Ajuste a taxa de atualização (aquele valor em Hz que por padrão é 60Hz) para o maior possível para seu monitor, na resolução que você usa e o problema cessará. A taxa de atualização é a quantidade de exibições (varreduras) que a tela faz por segundo. Qualquer valor abaixo de 80Hz faz a tela “piscar” e isso é que cansa a vista. Tente usar o valor 85Hz, visto que os monitores razoáveis alcançam esse valor.
Olá Nycholas,
Acabei de dar uma olhada nesse workrave e ele parece ser bem interessante. Acho que vou usá-lo durante um tempo. Obrigado pela dica.
Olá Sidney,
Muito obrigado pela informação. Não sabia que a taxa de atualização (especialmente tão acima 24Hz - “taxa média de atualização” dos nossos olhos) era a causa desse problema. Por curiosidade olhei a taxa de atualização do meu monitor LCD e vi que estava marcada para 60Hz. Se num monitor CRT 60Hz é ruim e em um LCD 60Hz já apresenta algum conforto, acredito que não seja tão errado falar que um monitor LCD seja melhor (nesse aspecto) que um monitor CRT.
Muito obrigado pelas visitas.
Jonas, a taxa de refresh nos monitores CRT faz diferença porque é assim que o “canhão” de elétrons constrói a imagem na tela, e quanto menor essa frequencia de varredura vertical (que é feita em forma de “Z”) mais perceptível ao olho humano causando o efeito “flicker” semelhante ao daquelas lâmpadas florescentes de teto. Já nos monitores LCD essa taxa não é real, e na verdade só é necessária para que a placa de vídeo reconheça que existe um monitor conectado a ela. Nos LCDs a tela é atualizada de forma assíncrona dependendo da necessidade e atualização dos “objetos” na tela. Mais informações no link abaixo:
http://www.widescreengamingforum.com/wiki/index.php?title=FAQ#TFT_myths:_dead_pixels.2C_refresh_rate.2C_response_time.2C_colour_depth_and_ghosting
Abraço.
Muito obrigado pelo comentário Marcelo. Acho que esclareceu bastante a discussão.
Parabéns pelo post, achei fantástico. É engraçado como quase todos os geeks tem esses problemas em comum hehe
Eu tirei o computador do meu quarto buscando evitar as insônias. O problema é que não me sinto mais confortável para trabalhar nele nesse outro local hehe :D
Ultimamente voltei a correr e a malhar, isso tem diminuido as possíveis tendenites, blá blá
O engraçado, é encontrar esse blog logo que estou com quase tudo resolvido hehe
Parabéns mais uma vez.
Abraço,
Obrigado pela visita Marcel.
[...] Tempos atrás, escrevi sobre algumas doenças bem características de programadores. [...]
Atualmente se fala muito bem dos monitores LCD, que fazem menos mal aos olhos e tal.
É mentira! Usei por 3 dias um monitor LCD de 17 polegadas e tive dores horríveis nos olhos e de cabeça. Me deu até labirintite, enjôo, além de parecer que eu tinha tirado os dois olhos e batido muito nos dois para depois recoloca-los. Dores - estava muito dolorido mesmo!
Só melhorou quando recoloquei meu monitor antigo de volta.
E tem mais: a tela do LCD é muito clara e a imagem não fixa direito (as letras são menos definidas do que na antiga tela que é menos luminosa…).
Tentei todas as regulagens possíveis - inutilmente.
Perdi 400 reais e a esperança numa tela de nova tecnologia.
O problema maior do LCD nem é o brilho exagerado, mas a péssima fidelidade de cores(painel TN que domina o mercado brasileiro). Tanto que publicitários e designers continuam com o bom e velho monitor de tubo. Configurando a taxa de atualização pra pelo menos 75hertz e diminuindo o brilho, qualquer CRT é melhor do que um LCD popular.
O LCD está ganhando mercado por questões fúteis: usuários leigos que não percebem as cores irreais, economia irrisória de energia elétrica e claro, a beleza. Por ser fininho. Hoje em dia as pessoas só se importam com a aparência.
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