19 Mar

Recentemente passei por uma situação absurdamente constrangedora. No Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, onde estudo, existe uma rede administrada por alguns alunos com máquinas apenas Linux. Apesar de vários problemas que ocorrem na rede, em geral conseguimos utiliza-la para os fins acadêmicos que necessitamos. Os professores do instituto se comunicam com os alunos através de uma lista de discussões que é controlada por estes administradores. Em teoria, um professor manda um e-mail para um administrador e repassa para a lista para que os alunos fiquem sabendo. Recentemente, um professor tentou comunicar-nos uma parceria criada entre a Microsoft e o IME-USP para liberar licenças gratuitas aos alunos e professores do instituto de software, obviamente, proprietários. Os administradores demoraram para repassar o e-mail e quando decidiram passar mandaram junto um sermão explicando porque eles são contra o software proprietário e porque o professor não deveria mandar aquele e-mail. Ai é que entra o método Homem-Bomba do Software Livre.
Na minha concepção, assim como existem ferrenhos defensores do Mac e do Windows, existe também o defensores do software-livre. O problema é quando você decide se explodir no meio de uma praça pública matando pessoas junto. Essa Open-Jihad ocorre quando não apenas preferimos ou nos negamos a usar o software proprietário, mas quando perdemos a tolerância e não respeitamos a opinião ou necessidade dos outros e impomos o software livre a força.
Ou seja, este extremismo ignora o fato que pessoas diferentes têm necessidades, desejos e crenças diferentes tratando-as apenas como erradas. Um exemplo disso é a situação narrada acima. Alunos acreditando que têm o direito de censurar um professor que utiliza software proprietário, esquecendo a hierarquia do instituto e de sua função na rede, pois eles são os administradores e não os donos da rede.
Nós, desenvolvedores e simpatizantes de software livre, devemos produzir produtos de qualidade superior para que os usuários comuns prefiram os softwares desenvolvidos pela comunidade e não os proprietários. Podemos explicar a diferença e porque preferimos esta filosofia de produção em detrimento a outras. Mas não temos o direito de proibir, impedir ou discriminar o uso de software proprietário, pois esta é uma escolha individual.
Em suma, apoio o software livre, utilizo o Linux a muito tempo (desde do Slackware 7), mas prefiro que seja por escolha e não porque alguém me converteu a esta nova religião.
Foto original por ItzaFineDay.
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30 Responses for "Os Homens-Bomba do Software Livre"
Fui aluno do IME, a galera sempre foi bem radical…. Trabalhar por um salário mínimo em uma rede com tanto pepino, não é pra qualquer um, tem que ser radical :)
Muito bom!
Eu também uso linux porque eu gosto muito e acho que essa evangelização não adianta e acaba queimando o filme do SL
È muito triste que os alunos sofram esse tipo de censura. Deve existir a liberdade para se escolher o que usar. Sabemos que o SL é melhor para a sociedade e que a grande população pode enfim ter acesso a um SO sem precisar pirateá-lo. Mas infelizmente, não podemos fazer isso a força.
Acredito que existam dois tipos de pessoas no SL: Quando o primeiro tipo tem uma pedra, a utilizam para fazer um tijolo e construir ainda mais, o segundo tipo, ao ter a pedra, vai arremessá-la na vidraça do Software proprietário;
Abraços
huahauhuhahah
Open-Jahad foi boa!
Ah cara, cada um sabe de seus gostos e suas necessidades, acho que já estamos bastante evoluidos para aceitar as escolhas que cara undivicuo faz para si mesmo.
Ou seja, cada um cada um.
Até !
Críticas sempre são bem vindas, mas você está criticando uma ação sem analisar os motivos que levaram a ela. Então só posso responder que é uma crítica vazia.
Ademais, é bom deixar claro que todos os email dos professores são repassados, e esse em especial apenas demorou por que era final de semestre, uma época complicada.
Quando vc diz que SL é uma “filosofia de produção”, eu acho que o termo Open Source se encaixaria bem melhor. Eu recomendo a leitura deste link[1] para entender melhor a diferença entre eles.
[1] http://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.html
Li o link que o Rodolfo passou e concordo com ele com relação ao encaixe dos termos.
Porém, discordo com relação à defesa apresentada. De fato, era final de semestre, porém o email que se seguiu ao do professor dizia claramente que houve um grande debate entre os admins da rede para decidir passar ou não aquele email para os usuários, o que fez com que ele demorasse mais do que o usual (mesmo para a época) para ser repassado.
Quanto aos motivos que levaram a essa atitude, acho que é desnecessário citar qualquer outro motivo para tentar justificar essa ação. Qualquer tipo de censura é inválido para se defender uma idéia, mesmo que esta esteja certa. Não acho que seja uma crítica vazia. O Rafael, a meu ver, expôs motivos bastante fortes para criticar essa atitude.
Cito o e-mail:
“Caros usuários,
Não foi fácil repassar o e-mail acima.
Decidimos escrever uma breve resposta. Esperamos que, dessa forma,
consigamos ajudá-los a tomar uma decisão bem informada em relação à
oferta que vocês receberam.”
Dentro do meu conhecimento, não cabe aos administradores evangelizar e sim manter a rede funcionando. Não fiquei aborrecido com o fato da demora em repassar o e-mail, isso é claramente aceitável no fim do semestre. O problema foi o “Evangelho Segundo os Linuxistas” que acompanhou o e-mail. Note que tenho que participar desta lista para receber comunicados dos professores, mas se desejam discutir se a Microsoft é o capeta ou não, isso pode ser feito em uma lista que a participação dos alunos não é obrigatória.
Além de que talvez os usuários dessas lista não precisem e não queiram a sua resposta para tomar uma decisão bem formada. Muitos dos leitores desta lista já são usuários destes sistemas e já conhecem, pelo menos um pouco, a filosofia. Exatamente como no FLISOL quando apenas “admins e seus amigos” podiam fazer a instalação pois acreditava-se que só eles soubessem.
Não acho que software livre em português seja tão incorreto como em inglês free software. Traduzimos free como livre e não como grátis. Então não vejo o problema. Afinal muitos aqui irão no FISL e não para instalar o MSN que é grátis. É software livre como em liberdade de expressão e não cerveja grátis…
[...] por Rafael Schouery (rafaelΘvidageek·net) - referência [...]
Também sou usuário de linux há muitos anos (10 anos) e acho que na verdade todos sempre têm a liberdade de escolha para fazer tudo, inclusive o que é errado. Isso acontece porque não dá mesmo para proibir nada, principalmente para estudantes, ainda mais usar windows porque o pessoal apela para a pirataria mesmo.
Eu sou professor do IME (não o da USP) e particularmente sou contra essas parcerias com a Microsoft para doar licenças a alunos e professores porque isso na realidade funciona de maneira a viciar as pessoas nos produtos da Microsoft. Elas usam de graça na faculdade e quando saem dela tornam-se reféns da empresa porque não conheceram outra coisa. A maioria dos estudantes nunca terá renda para licenciar TODOS os produtos Microsoft ao qual se acostumaram na faculdade e fatalmente apelarão para a pirataria ou farão seus empregadores comprar os produtos muitas vezes desnecessariamente por preferncias pessoais.
Aceitaria uma doação de licenças para um laboratório da faculdade se os produtos fossem necessários para uma aplicação ou software exclusivo para windows, mas daí a servir de “camelô oficial” distribuindo cópias “gratuitas” de produtos Microsoft a estudantes e professores para usar nos seus micros pessoais é outra coisa. Acho que a minha atitude não é de xiita mas de coerência com meus princípios pró-SL.
E não me venham com essa tese de liberdade de escolha porque simplesmente ela não existe em segmentos de mercado monopolizados. A Microsoft não é apenas uma empresa normal de software, mas a número um em muitos segmentos e particularmente monopolista no segmento de sistemas operacionais para desktops e suites de escritório. Aceitar uma “doação” de licenças de Microsoft Office 2007 é bem diferente do que aceitar doação de um software proprietário para aplicação cientifica feita por alguma empresa de médio porte.
Onde leciono não fizemos nenhum “Microsoft Campus Agreement” pelos fatos que já citei e pela falta de necessidade disso, já que custa à Instituição alguns milhares de dólares por ano (sim, NÂO é gratuito apesar do que falam). O departamento de computação tem sim um acordo com a Microsoft que lhe permite instalar e usar em seus laboratórios as ferramentas de desenvolvimento, bancos de dados e sistemas MS mas nesse caso realmente é necessário para o curso ter contato com os produtos e ferramentas da Microsoft. Mesmo assim, na minha opinião, isso causa um efeito negativo na adoção de software livre por este departamento.
Não esqueçam o fator humano que é o mais forte na formação das “preferências pessoais” em relação a software. As pessoas geralmente não escolhem os melhores softwares do ponto de vista técnico, mas o “que todo mundo usa”. Foi assim que nasceu o monopólio do MS Office, do MSN, do windows e de muitos outros softwares. Se uma empresa geralmente pode arbitrar determinados softwares e formatos de arquivo para uso interno, muitas vezes contra as preferências pessoais de muitos de seus empregados, por que uma universidade não pode fazer o mesmo ? Onde leciono, por exemplo, os formatos ODF são o padrão para documentos eletrônicos e então um professor receber documentos OOXML do MS Office 2007 iria contra tudo o que foi padronizado na instituição, além de ser desnecessário.
Repito, não sou xiita e inclusive sou usuário de uma distribuição linux comercial. Acho que produtos e tecnologias proprietárias podem e devem ser usados quando são a melhor solução mas julgada não por preferências pessoais, mas do ponto de vista técnico. Mas acredito que o software ou tecnologia livre que atende uma função sempre é mais interessante para uma universidade do que um software ou tecnologia proprietária porque permite a pesquisa, customização e trabalhos derivados. As idéias funtamentais do software livre nasceram em ambientes universitários e as empresas de software proprietário dominantes sabem disso e tentam coibir uma maior difusão do conhecimento de SL nas universidades justamente através dessas parcerias supostamente inocentes.
Nas universidades atualmente há um conflito ético muito grande entre os interesses comerciais das empresas patrocinadora de pesquisas e desenvolvimentos e o interesse coletivo da ciência e da sociedade. Esse do software é apenas um dos conflitos.
Meu post anterior acabou fugindo um pouco do assunto da notícia em si da censura do email mas o que eu queria dizer que sou contra a censura que foi feita mas também sou contra essas parcerias que custarão com certeza caro para a nação.
“A maneira mais pérfida de prejudicar uma causa é defendê-la propositalmente com más razões.”
Essa frase atribuída a Nietzche resume bem a situação atual. Ninguém briga na lanchonete para ver a receita do lanche que comeu, todos brigam porque ele estava estragado ou com gosto ruim.
As 4 liberdades são legais e são os pilares do Software Livre/Código Aberto (sim, os 2 sem distinção), mas as coisas param por ai. As liberdades devem ficar restritas ao “nível mais baixo”, somente para deixar claro com o que estamos lidando. Mas o que devemos enfatizar na defesa do Código Aberto (se insistem tanto em chamar assim) é seu modelo de produção que pode resultar em software com maior qualidade. Apenas isso. Usuário não liga para liberdade (e com razão).
Os envagelistas do software livre estão se tornando os novos ecochatos. E essas não são minhas palavras, nem mesmo a de algum defensor “Open Source”.
E todos sabemos que ninguém escuta aos chatos.
[...] Mais Tagged with: Software Livre « Oprah divulga Silverlight e Skype sem pedir nada [...]
Acho que a comunidade do SL já está conseguindo o que queria. Recentemente a Microsoft tem disponibilizado suas ferramentas de desenvolvimento nas versões Express, que não é livre, mas acredito que seja o caminho. Em outra iniciativa Microsoft possibilitou o SWT da Eclipse Foundation usar o WPF. Não precisamos de radicalismo. O SL está competindo muito bem. A Microsoft antes era terminantemente contra o SL, hoje já até desenvolve software livre! heheh Quem diria hein?
A matemática e a estatística é clara: Há um monopólio de sistemas Microsoft no mercado.Do Visual Studio ao Windows Vista. De modo que criticar um imposição de novos “valores” me parece por si só uma forma de extremismo…Considero a atitude dos alunos administradores exagerada, mas nem tanto pela manutenção do Software Livre e sim pela “carta bomba”. Acredito que eles têm direito de dizer “não” ao uso do WIndows, algo que seria um imposição baseada em hierárquia, tão somente. A idéia de que não utilizavam o Windows porque era caro, tira o mérito do Linux, levando-nos ao viés de que só utilizavam o pinguim porque era de graça. Ou seja, ambos poderiam ser de graça, mas o pessoal optou pelo Linux, por motivos práticos, ou não.
É uma situação que funciona do seguinte modo: Eu optei por Linux, é simples. Você me deu uma licença do Windows, mas eu não quis, por opção, é simples assim. Então sou xiita ou freetardado ?
Concordo em gênero, número e grau com o autor do texto, defendemos a “liberdade” por trás dos Softwares Livres, mas muitas vezes não admitimos que outras pessoas tenham a “liberdade” de escolher soluções não livres.
É muita presunção de nossa parte achar que temos as melhores idéias e soluções para tudo. Não devemos esquecer que softwares são ferramentas utilizadas para a realização de tarefas, estas sim importantes para os usuários, ou seja, para a maioria das pessoas, softwares são apenas o meio para a realização dos seus fins.
Cabe a nós mostrar-lhes que existem opções livres de boa qualidade, que podem auxiliá-las tão bem quanto as soluções proprietárias. Sem essa de generalizar dizendo que “todos” os softwares livres são de superior qualidade em relação aos softwares proprietários, como exemplo temos o Office da Microsoft, que é indiscutivelmente superior ao OpenOffice, mas este atende, e muito bem, a grande maioria dos usuários, não havendo necessidade, portanto, de desembolsar recursos com licenças ou fazer uso de cópias piratas. Agir de forma “xiita” só gera antipatia à nossa causa.
A Microsoft já percebeu a força dos Softwares Livres e já está mudando a sua postura, cabe a nós mudar a nossa quanto aos softwares proprietários. Ainda temos muito que amadurecer…
TcE
p.s.: Também concordo plenamente com as palavras do Fábio Firmo: “Os envagelistas do software livre estão se tornando os novos ecochatos.”.
Concordo com você em muitas partes. Não gosto de repetir frases dos outros, principalmente de “homens-bomba” como o Sérgio Amadeu, mas prática terrorista mesmo, e muito mais que e-mail evangelizador, é fornecer licença gratuita em universidade.
Esses usuários Ubuntu…
Parabéns aos adm dessa rede, achei correto a atitude, apologia a drogas é crime e tipificada no código penal Brasileiro. Não concordo que permitir o uso de drogas seja questão de ‘liberdade’.
O que muita gente não está entendendo é a essência do texto. Os administradores da rede não tinham o direito de apresentar sua opinião na forma como foi feita: na própria mensagem enviada pelo professor.
O que eles deviam fazer era enviar a mensagem do professor na íntegra e depois postar a sua opinião na mesma lista de discussão, e isso apenas se fizessem parte dessa lista, caso contrário não teriam nem esse direito.
Isso tipifica abuso de poder, que é uma coisa perigosa, muito perigosa. Lembra muito a gestão de certos governantes da América Latina, como o presidente da Venezuela, que perseguem aqueles que não estão alinhados com seus ideais.
Se, por acaso, esses administradores de rede fossem a favor dos softwares proprietários e fizessem o mesmo, todos aqueles a favor dos softwares livres seriam contra, com toda razão. Mas somente porque foram contra as suas idéias? Será que atitudes equivocadas devem ser toleradas desde que estejam de acordo com as nossas convicções?
Devemos respeitar e conviver pacificamente com os “diferentes”, isso é democracia.
Os fins não dever justificar os meios. Como podemos ser contra a imposição e algum modelo de queremos impor o nosso? O que mais me preocupa, e muito, são pessoas jovens com esse tipo de pensamento, principalmente em uma país com uma democracia tão fragilizada como o nosso.
TcE.
há uma série de questões levantadas no post, e comentários subseqüentes.
Anterior à discussão delas, porém, são necessários alguns esclarecimentos.
Peço, formalmente (mas em meu nome, não da administração, pela qual não me sinto autorizado a falar) que se esclareça:
Foi feita a acusação de que cometemos censura contra o professor ?
Se sim, essa é a censura no sentido de critica, ou no sentido de impedir a divulgação de informações ?
Não estou certo se efetivamente criticamos o professor ou sua atitude (e creio que não!) mas certamente o e-mail do professor em questão foi enviado, então creio que não haja base para afirmar que fizemos “censura” no sentido, mais usual, de “impedir de falar”.
Seria adequado se o autor do post esclarecesse qual afirmação dessas, se alguma, ele faz.
Aparentemente, há também bastante confusão quanto ao mecanismo com o qual o texto em questão foi divulgado.
O mecanismo usual da lista em questão é que o e-mail que se deseja divulgar seja encaminhado à administração, e ela encaminhe para a lista. O e-mail não foi de nenhuma forma “interceptado” ou passou por qualquer trâmite anormal (além, é claro, da discussão e elaboração do texto que foi enviado em seguida dele)
A mensagem da administração não foi incluída no corpo do texto, mas sim em uma mensagem anexa.
Peço ao autor do post que esclareça se discorda de alguma dessas afirmações.
Tendo estabelecido esse conjunto mínimo de fatos (ou ao menos deixando claras quais são as discordâncias) creio que poderemos discutir mais a fundo os outros pontos levantados.
grato antecipadamente pela consideração,
lucas mendes
Impressionante como o pessoal esquece que a liberdade de um termina onde começa a do outro, e usa esse argumento do “o software que eu uso eu que escolho” como se não prejudicasse ninguém.
Sério… Toda escolha de software proprietário, especialmente de um monopolista, tem conseqüências daninhas não só a quem faz essa escolha, mas a todos os demais usuários de computador, porque a escolha infeliz aumenta o poder do monopolista. Esse aumento de poder se reflete sobre todos, inclusive sobre quem não usa o software, por questões de compatibilidade (ou, no caso, incompatibilidade intencional), disponibilidade de opções, influências de longo prazo no mercado de trabalho, etc.
É igual fumar: quem fuma não está assumindo um risco de saúde só para si, está jogando as mesmas substâncias prejudiciais na atmostera, criando riscos para quem está em volta. Pior ainda se houver alguém alérgico, ou em grupo de risco maior. Vai dizer que a pessoa prejudicada não tem o direito de manifestar sua opinião só porque a MicroSouza CruzCredo fez acordo com o refeitório da escola pra reduzir a área de não fumantes e ainda distribui cigarro grátis pras crianças?
Olá a todos, peço desculpas pela demora em responder os comentários e agradeço a visita de todos.
Caro Manoel Pinho, entendo muito bem seu ponto de vista e concordo com o mesmo. No IME-USP quase toda nossa formação é utilizando SL, desde o começo usamos Linux e gcc para programar. Durante o curso tive apenas duas matérias onde a programação era com Windows (o professor é o mesmo do e-mail mencionado), mas o professor aceitou que ferramentas livres fossem usadas. Mas contrastando com isso, tenho um amigo que trabalha para o site Baboo (famoso site de Windows), que busca uma formação mais voltada ao software proprietário. Acredito que ele também deva ter a oportunidade de utilizar as ferramentas que queira. Também acho que péssimo termos apenas Microsoft, mas no IME-USP esta é uma minoria.
Concordo com o Fábio que devemos produzir software de alta qualidade para que as pessoas usem o SL. Um exemplo é o curso de adminstração da FEA-USP. Lá quase todos os softwares utilizado roda apenas em Windows e independente de existir um similar ou não, os professores não estão interessados. O que é necessário é que sejam feitos softwares muito superiores ao existentes para que “valha a pena” a mudança para muitas pessoas. A pirataria pode ser um problema, mas a Microsoft ganha seu dinheiro através de venda de licenças a empresas que desconhecem alternativas melhores (não que elas não existam). Ninguém que tenha muito dinheiro vai instalar o Linux só porque ele é de graça, eles só o farão se acreditarem que é melhor do que o Windows.
O Paulo levantou um ponto que eu diria bem discutível. As ferramentas Express de desenvolvimento da Microsoft são apenas editores de texto que compilam. Elas não oferecem nenhuma grande vantagem para o programador, fazendo com que eles queiram comprar as versões mais sofisticadas. Também há a questão de se um software é livre ou não depende apenas da disponibilidade do código ou também de ser capaz de rodar em qualquer sistema (ou pelo, exista a possibilidade de fazer um compilador/interpretador para aquela linguagem).
Não sei se entendi direito a assertiva do Bebeto. Nossa rede utiliza Linux e continuará da mesma forma, não porque é de graça mas porque nossos professores (pelo menos a maioria) considera melhor. Temos também algumas máquinas Windows no Instituto. A parceria é pra permitir que alunos tenham softwares Microsoft em casa, portanto os administradores não têm direito de intervir neste caso. De fato, eles são alunos contratados do IME e caso os professores quisessem mudar o SO eles também não teriam o direito de intervir. Assim como eles não têm direito de bloquear um e-mail que um professor mandou repassar para os alunos. Você não é um freetardado ou xiita se você prefere o Linux, você o é se menospreza a opinião e escolha dos outros, tratando como inferiores os usuários de software proprietário.
Tarcísio, obrigado por entender a essência do texto e conseguir explicar de uma forma diferente o que quis passar ao público. Os administradores não colocaram o texto na própria mensagem do professor, mas esta não é uma lista de discussão. Recebemos apenas notícias como oportunidades de estágio na mesma então não pudemos responder e não tivemos a escolha de receber este e-mail ou não, já que somos parte desta lista por motivos burocráticos mas a mesma não foi usada para isso. Portanto, concordo com você que isso tipifica abuso de poder.
Lucas, até onde vai meu conhecimento vocês não encaminharam o e-mail assim que o receberam. Mais do que isso, até onde eu sei, houve a discussão se o e-mail deveria ou não ser repassado e que a decisão foi de repassa-lo com o texto em seguida. Ou seja, houve um atraso baseado no conteúdo da mensagem e não por outros fatores e ainda a possibilidade do e-mail não ser enviado. Estas informações foram dadas por um amigo e não posso garantir a veracidade, mas você com certeza pode contesta-las. A censura como crítica obviamente ocorreu.
Na minha concepção houve censura, já que a informação dada pelo professor (que constava apenas da mensagem informando o site para se cadastrar e da possibilidade de conseguir estas licenças) não explicava as “maravilhas” (se é que existem) do software proprietário. Em seguida, recebemos um e-mail com toda uma ideologia mostrando porque deveria ignorar o que o professor fez. Citando o próprio e-mail:
“Software proprietário é uma escolha. A escolha de tentar obter ganhos (econômicos, políticos ou quaisquer que sejam) por negar ao usuário algum conhecimento. E cabe ao usuário dizer se essa escolha é equivocada. Permitir ou não que tais ganhos sejam obtidos.”
Ou seja, vocês enviaram sim a mensagem do professor, mas em seguida enviaram uma catequese junto mostrando como o professor estava errado. E utilizaram-se do poder e influência que têm como administradores para fazer o mesmo, já que esta não é uma lista de discussão e sim de avisos, não podendo assim os alunos responderem as suas afimativas.
Não afirmei que o texto foi anexado ao corpo do original e peço desculpas se os nossos leitores assim o entenderam. Ele foi enviado como resposta na lista, da qual não sei se o professor faz parte e se, com isso teve um direito de resposta.
Alexandre, liberdade é mais complicada do que a velha frase sobre limites. Seu ponto de vista é obviamente de esquerda, no sentido que o monopólio atrapalha a sociedade e devemos combate-lo. Esta é também a minha opinião, acredito que a melhor forma de governo seja aquela que leve em consideração o indivíduo e que proteja os menos afortunados das corporações. Mas assim como eu tenho este pensamento, outras pessoas pensam de forma diferente. Muitos acreditam que o Mercado funcione como orgão regulador da sociedade e que o governo não deveria influenciar. Não é o meu ponto de vista, mas com a liberdade de pensamento estas pessoas podem acreditar nisso. Para estas pessoas, escolher um software proprietário não tem conseqüências daninhas mas sim próprias do equilíbrio do mercado. Elas não têm o direito de pensar dessa forma?
Isso aí, Muito Bom.
Antes de mais nada, colo aqui o email inteiro para que as pessoas saibam sobre o que estão falando:
———————————
Caros usuários,
Não foi fácil repassar o e-mail acima.
Decidimos escrever uma breve resposta. Esperamos que, dessa forma,
consigamos ajudá-los a tomar uma decisão bem informada em relação à
oferta que vocês receberam.
Acreditamos na superioridade, tanto técnica quanto ética, do
software livre.
Em um ambiente tão impregnado pelos valores científicos quanto é o
nosso, há de se enfatizar que o modelo de desenvolvimento a que
chamamos “software livre” é tão somente a aplicação ao software
daquilo que já há muito se faz com o conhecimento matemático. Ou
seja, da idéia de que o saber deve ser compartilhado. De que deve
ser permitido utilizar o que temos hoje, independentemente de
autoria, para se produzir novos conhecimentos.
Essa abordagem cooperativa não só facilita a ampliação das
fronteiras do conhecimento, como também o torna mais acessível
mesmo para aqueles que ainda estão muito afastados dessa fronteira.
Não vemos porque devemos abandonar essa abordagem, de tanto sucesso
no desenvolvimento da matemática, quando escolhemos nosso software.
Muitas empresas oferecem gratuitamente seus softwares para usos
acadêmicos. Convém apontar que essa estratégia visa moldar os
futuros profissionais para que dependam de seu software quando
formados e dessa forma manter seu domínio sobre o mercado e os
usuários.
Software proprietário é uma escolha. A escolha de tentar obter
ganhos (econômicos, políticos ou quaisquer que sejam) por negar ao
usuário algum conhecimento. E cabe ao usuário dizer se essa escolha
é equivocada. Permitir ou não que tais ganhos sejam obtidos.
Por fim, recomendamos a leitura do seguinte link:
http://www.gnu.org/philosophy/shouldbefree.pt.html
A administracao
Luiz, vc diz que o email dizia claramente que nós cogitamos não repassar os emails. Imagino que vc se refira a primeira frase do email: “Não foi fácil repassar o e-mail acima.”. Eu considero uma interpretação errônea da frase. Como eu disse, decidimos que todos os emails dos profs devem se repassados.
Depois você disse que “Qualquer tipo de censura é inválido …”. Eu considero que a censura enquanto crítica é valida, e muito necessária. A censura enquanto ato de esconder uma informação é sim invalida. Foi a essa conclusão que cheguei quando recebi esse email do prof. E, obviamente, está ultima censura não ocorreu, ou vc não teria recebido o email.
Rafeel, pelo seu último parágrafo do comentário do dia 21, eu acho que vc não entendeu direito o link que eu mandei. Eu me refiro não ao problema de traduçao de Free Software, mas as diferentes visões de mundo entre SL e Open Source. ( Se vc não se referia aquele link, desconsidere esse parágrafo ).
Como o Oliva apresentou, as escolhas individuais podem prejudicar a sociedade. Então eu não acredito que as pessoas devem ser livres para prejudicar as outras. Sua liberdade acaba onde começa a do próximo.
Nós vimos uma atitude errada e manifestamos nossa opinião na esperança de impedir algumas pessoas de cair nessa armadilha. Você não crítica nossas opiniões, mas sim o fato de termos enviado o email. Oras, nossas convicções nos levaram a enviar esse email e é obvio que isso não se justifica baseado nas suas. Então criticar esta ação ignorando os motivos que levaram a ela, baseado apenas no que vc pensa, é superficial. Se vc quer entrar no cerne da questão vc tem que criticar os motivos que nos levaram a mandar o email. ( Ou dizer que esse ato não esta de acordo com nossas convicções ). Vc não fez isso no seu post, por isso eu chamei-o de vazio.
Sobre a acusação de abuso de poder: Se qualquer aluno enviar uma resposta pública ao nosso email pedindo que ela seja repassada, terá todo meu apoio.
> Para estas pessoas, escolher um software proprietário não tem conseqüências
> daninhas mas sim próprias do equilíbrio do mercado. Elas não têm o direito de
> pensar dessa forma?
Sim, tem. Assim como eu tenho o direito de pensar diferente. E de manifestar minhas opiniões. E de tomar atitudes baseadas nelas, assim como essas pessoas o fazem. ( ou em outras palavras: Vc diz que eu “ignoro o fato que pessoas diferentes têm necessidades, desejos e crenças diferentes tratando-as apenas como erradas” mas vc trata minhas “necessidades, desejos e crenças” como erradas. )
( É claro que existem atitudes que não justificam a defesa de uma crença, como esconder informações. Ou achar que as pessoas não podem pensar diferente. Mas não vejo nada demais em achar que uma pessoa está errada. )
Olá Rodolfo,
me mantive fora dessa discussão até agora porque estive ausente da
faculdade em boa parte do semestre passado, mas me sinto na obrigação
de perguntar agora. Houve uma discussão para se decidir se o e-mail
seria ou não repassado? Pergunto isso porque acredito que boa parte da
acusação de abuso de poder se encontra nesse ponto (inclusive também
ouvi falar sobre isso e não foi atravéz do rafael).
Sim, esse foi um dos pontos levantados na discussão. Mas eu acho que vcs estão interpretando errado isso. Em uma discussão idéias muitas vezes são postas na mesa, não porque alguém realmente defende aquilo, mas apenas para fazer o papel de “Advogado do Diabo”. A questão “Devemos repassar um email que consideramos ‘errado’ ?” nós levou a tomar a posição “Emails de caráter acadêmico sempre devem ser repassados.”. Então eu acho que foi uma questão bem útil para forçar uma posição clara, e não absurda como vcs parecem achar.
Rodolfo, desculpe-me pela demora em responder seu comentário.
A censura como crítica é válida apenas com direito de resposta e uma possível discussão entre as partes.
O professor participa da lista? Caso não participe, uma cópia do e-mail foi mandada para o mesmo para que ele pudesse ter seu direito de resposta?
O e-mail não dizia claramente que vocês cogitaram não repassar o e-mail, mas como você mesmo disse isso “foi posto à mesa”.
Citando sua frase: “Como o Oliva apresentou, as escolhas individuais podem prejudicar a sociedade. Então eu não acredito que as pessoas devem ser livres para prejudicar as outras. Sua liberdade acaba onde começa a do próximo.”
Depende do que você considera liberdade, no meu conceito isto já está implícito. Com certeza as pessoas não devem ser livres para prejudicar as outras. Como nosso país é democrático e soberano, nossa sociedade escolhe através de seus representantes a forma com que vivemos. Então nosso povo tem sim a liberdade comprar software e qualquer outro produto legalizado sem quebrar as regras da sociedade, já que isto é permitido por lei. Através desta própria democracia, um representante poderia ser eleito e acabar com o Capitalismo, mas esta não é a situação atual e portanto como a lei decide até onde alguém pode ir, hoje todas as pessoas são livres para consumir.
Você tem todo o direito de considerar meu post vazio. Muitos dos que o leram fizeram o mesmo, isso é fácil de ver através dos comentários aqui e na Br-Linux. Eu critiquei o abuso de poder e a intolerância que acredito que vocês tiveram em relação a este particular e-mail e como muitos defensores do SL o fazem. Como você mesmo disse sua liberdade vai até onde começa a minha e você infringiu a minha liberdade de não receber um e-mail evangelizador de uma lista que não é de discussão e sim de notícias.
Que bom que uma resposta pública ao seu e-mail terá o seu apoio. Mas no dia 7 de dezembro de 2007 às 22:19 eu mandei uma resposta pública que não foi repassada para a lista, que não foi sequer respondido. Você tomou as suas atitudes baseadas nas suas “necessidades, desejos e crenças” mas minha resposta foi ignorada, a possibilidade de barrar o e-mail foi discutida e portanto você não respeitou as minhas “necessidades, desejos e crenças”.
Concluo dizendo que fico feliz que vocês decidiram que os “Emails de caráter acadêmico sempre devem ser repassados.”, mas me preocupa que isto não era já uma axioma inicial nesta administração. Mas ainda considero errado repassar um e-mail em seguida atacando o e-mail repassado em uma lista onde os alunos não podem se manifestar.
Eu defendi que seu email fosse tornado público e respondido. Uma resposta chegou a ser escrita, mas fui voto vencido, e a decisão foi não responder. Deixo aos outros a explicação, ou não , dos motivos para tal. Sendo mais claro: acho que enviar o email e não abrir espaço para respostas é, sim, abuso de autoridade. Por isso sugiro que vc se junte com quem mais concorda com vc e escreva uma resposta pedindo explicitamente para ser repassado para users.
Quem desejar usar software proprietário comece pagando por ele.
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